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Setor elétrico se divide sobre modelo de preço de energia e aversão ao risco

um lado, associações apontam para uma “aversão ao risco elevada”, enquanto agent
Reprodução Agenciainfra

O modelo de formação do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), que serve como referência crucial para as operações de curto prazo no mercado livre de energia, tornou-se o centro de um intenso debate no setor elétrico brasileiro. A discussão, que abrange também o nível de aversão ao risco incorporado nos cálculos, será levada à mesa do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) em uma reunião agendada para esta quarta-feira (13).

As opiniões estão polarizadas entre os diversos agentes e entidades do setor. Enquanto algumas associações alertam para uma “aversão ao risco elevada” que distorce os preços, os geradores hidrelétricos defendem que os valores atuais refletem a realidade operacional do sistema, que passou por mudanças estruturais significativas.

O debate central sobre a formação do PLD energia e aversão ao risco

A controvérsia gira em torno da calibração do Conditional Value at Risk (CVar), um parâmetro que pondera os cenários hidrológicos futuros no modelo matemático do PLD. Atualmente, os parâmetros estão em 15/40, o que significa que 15% dos piores cenários de seca recebem um peso de 40% no cálculo, influenciando diretamente o preço da energia.

Agentes de comercialização e consumidores de energia defendem veementemente a redução do peso atribuído aos cenários hidrológicos mais severos, de 40% para 35% ou até 30%. Segundo eles, essa alteração resultaria em uma diminuição significativa do custo operacional do sistema. Em contrapartida, os geradores hidrelétricos argumentam pela manutenção dos parâmetros atuais, visando a preservação dos reservatórios e a segurança energética.

Impactos econômicos e a visão dos consumidores

Associações como Abeeólica, Abiape, Abraceel, Abrace Energia, Anace, Cogen e a Frente Nacional dos Consumidores de Energia, alertam para a possibilidade de um aumento de R$ 5,4 bilhões no despacho térmico, com o objetivo de preservar os reservatórios hidrelétricos. Em nota conjunta, essas entidades expressam preocupação com o “forte impacto no custo da operação do sistema elétrico”, o que pressionaria os preços no mercado livre para comércios e indústrias, além de gerar um aumento tarifário para consumidores residenciais e efeitos inflacionários no curto prazo.

Um documento assinado por consumidores livres descreve o cenário de preços elevados como uma “distorção” com sérias consequências econômicas. Empresas expostas à concorrência global enfrentam dificuldades para repassar custos, resultando em margens reduzidas, queda na produção e, em casos extremos, desinvestimento no país.

A perspectiva dos geradores hidrelétricos sobre o PLD

A Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica (Abrage), que representa as grandes hidrelétricas, posiciona-se de forma contrária à redução dos parâmetros de aversão ao risco. A entidade argumenta que tal medida poderia levar a despachos fora da ordem de mérito, aumentando a incerteza e os riscos para o sistema.

Para a Abrage, o comportamento atual dos preços reflete uma mudança estrutural na matriz energética, que hoje conta com maior participação de fontes com alta variabilidade na produção. A associação destaca que o PLD tem refletido essa nova realidade da matriz e da operação, e que as oscilações não indicam, por si só, um problema, mas sim um sistema mais dinâmico, com uma agenda contínua de aprimoramentos nos modelos para se aproximarem da operação real.

Falhas apontadas na precificação atual da PLD energia

João Carlos Mello, CEO da consultoria Thymos Energia, aponta outras falhas na formação do preço, além da aversão ao risco. Segundo Mello, o histórico da geração renovável utilizado pelos modelos está “contaminado” pelo curtailment (cortes na geração de energia elétrica), resultando em previsões abaixo da capacidade real das fontes no curto e longo prazo. Ele exemplifica com a usina de Tucuruí, no Pará, que entre 1º de março e 8 de abril de 2026, teve suas comportas abertas por 547 horas (58% do tempo) com vertimento turbinável, sem que o preço atingisse o mínimo, indicando excesso de oferta e preços acima do necessário.

Outro ponto crítico levantado é a projeção incorreta da Micro e Minigeração Distribuída (MMGD) pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que projeta uma carga líquida maior que a real nos momentos de geração solar. Mello também critica a inclusão de grandes cargas, como data centers e plantas de hidrogênio verde, baseadas apenas em “intenções de conexões” sem contratos ou garantias, o que inflaciona a demanda futura projetada e leva a um planejamento mais conservador e preços mais altos. Mais informações sobre a operação do sistema elétrico podem ser encontradas no site do ONS.

Consequências da volatilidade nos preços

Os preços elevados no mercado de energia geram efeitos distintos para os diferentes agentes. Aqueles com “exposição positiva”, como os que possuem excedente de energia para vender, se beneficiam dos altos valores do PLD. Por outro lado, há os com “exposição negativa”, incluindo consumidores, comercializadores e até mesmo alguns geradores afetados pelo curtailment.

Mello explica que esses agentes que sofrem cortes de geração são forçados a recorrer ao mercado de curto prazo para cumprir seus contratos, arcando com preços elevados pela energia a ser entregue, o que agrava a situação econômica e a incerteza no setor.

Fonte: agenciainfra.com

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