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Polícia Federal investiga Banco Digimais por suspeita de fraude financeira

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A Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Miragem com o objetivo de desarticular um suposto esquema de fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional envolvendo o Banco Digimais. A ação, realizada em São Paulo, cumpriu nove mandados de busca e apreensão, além de determinar o bloqueio de bens e valores que somam até R$ 670,3 milhões. A investigação também incluiu o afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos envolvidos.

Segundo as autoridades, a instituição financeira teria adotado práticas operacionais semelhantes às identificadas no caso do Banco Master. A estratégia envolveria a captação de recursos por meio de ofertas de investimentos com remuneração acima da média de mercado, utilizando a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como principal atrativo para investidores.

Mecanismos de manipulação e superavaliação de ativos

O relatório da Polícia Federal aponta que o banco teria inflado artificialmente seu patrimônio através da superavaliação de ativos. Entre os exemplos citados pelos investigadores, destaca-se a precificação de títulos antigos da Vale em R$ 650 milhões e a avaliação de um terreno em Pernambuco por R$ 150 milhões, embora o valor real fosse inferior a R$ 10 milhões.

Além disso, o banco teria contabilizado cotas de fundos de investimento por valores muito superiores ao custo de aquisição. Em um dos casos, ativos que custaram R$ 71 milhões foram registrados em balanço por R$ 741,348 milhões. Essa manobra contábil visava ocultar dos órgãos de controle a real situação de deterioração da carteira de crédito da instituição.

Repetição de práticas vedadas pelo Banco Central

A investigação detalha que, mesmo após o Banco Central constatar irregularidades e determinar a correção dos balanços, o Digimais teria buscado alternativas para manter os valores inflados. A instituição teria firmado contratos com sua controladora, a B.A. Empreendimentos e Participações, sem a entrada efetiva de recursos no caixa, configurando uma tentativa de burlar as determinações regulatórias.

A fiscalização apontou que tais operações superaram o limite de exposição ao crédito previsto pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Ao conceder prazos para pagamento e aplicar índices de correção, o banco teria operado como financiador do próprio controlador, prática vedada pela lei de crimes contra o sistema financeiro.

Posicionamento oficial da instituição

Em nota oficial, o Banco Digimais declarou que permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e colaborar com as apurações em curso. A instituição reafirmou seu compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a colaboração com os órgãos competentes. O caso segue sob análise da 7ª Vara Criminal Federal.

Para mais detalhes sobre as normas do setor, consulte o Banco Central do Brasil.

Fonte: blogdomagno.com.br

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