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Governo federal deve publicar portaria sobre ressarcimento de cortes de energia até junho

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O Ministério de Minas e Energia (MME) estabeleceu o mês de junho de 2026 como o prazo limite para a publicação da portaria que regulamentará o ressarcimento por cortes de geração de energia. A medida é aguardada com grande expectativa por investidores e operadores do setor elétrico, pois visa solucionar o passivo gerado pelas restrições de operação, fenômeno tecnicamente conhecido como curtailment, impostas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

A norma em elaboração pelo governo federal trará a minuta do termo de compromisso que deverá ser assinado pelos geradores que optarem por aderir à proposta de compensação. Este documento é considerado uma peça fundamental para garantir a segurança jurídica das empresas, estabelecendo critérios claros para o cálculo dos valores devidos e as condições de pagamento para as usinas afetadas pelas limitações técnicas da rede de transmissão.

Regras de compensação e o novo termo de compromisso

A futura portaria do MME busca pacificar uma disputa que tem gerado incertezas no mercado de capitais e no planejamento de novos empreendimentos. Ao definir as regras para o ressarcimento, o governo pretende oferecer uma saída estruturada para o passivo acumulado, permitindo que as empresas recuperem parte dos investimentos que deixaram de gerar receita devido aos cortes forçados na produção.

O termo de compromisso será o instrumento jurídico de adesão voluntária. Nele, os geradores deverão concordar com as premissas estabelecidas pelo ministério, o que pode envolver a desistência de ações judiciais em troca de um cronograma previsível de compensação financeira. A expectativa é que a adesão em massa ajude a estabilizar o fluxo de caixa das companhias de energia renovável.

O desafio do curtailment na matriz de energia renovável

O impacto dos cortes de geração tem sido severo, especialmente para as fontes eólica e solar. Empresas como a Elera já manifestaram preocupação pública, alertando que o curtailment chegou a atingir 35% da capacidade em determinados períodos, o que coloca em risco a viabilidade econômica de projetos de larga escala. Sem o ressarcimento, o retorno sobre o capital investido torna-se imprevisível.

O ONS defende que essas interrupções são medidas de segurança essenciais para manter a integridade do Sistema Interligado Nacional (SIN). No entanto, o setor produtivo argumenta que a infraestrutura de transmissão não acompanhou o ritmo de crescimento da geração distribuída e centralizada, resultando em gargalos que penalizam diretamente os produtores de energia limpa.

Inovação tecnológica e o papel das baterias no armazenamento

Diante do cenário de restrições, o mercado busca alternativas tecnológicas para minimizar o desperdício de energia. Estudos realizados pela Atlas Renewable indicam que a implementação de sistemas de armazenamento por baterias poderia reduzir o impacto do curtailment em até 76% até o ano de 2037. Essa tecnologia permite que a energia excedente seja guardada e injetada na rede em momentos de maior demanda ou menor restrição.

O ministro Alexandre Silveira tem sinalizado que o governo acompanha de perto essas inovações, inclusive estabelecendo prazos para portarias relacionadas à Reserva de Capacidade (LRCAP) para baterias. A integração de sistemas de armazenamento é vista como uma solução de longo prazo para aumentar a flexibilidade do sistema e reduzir a necessidade de cortes preventivos por parte do operador.

Perspectivas para o setor elétrico e segurança jurídica

A publicação da portaria em junho de 2026 representa um marco para a governança do setor elétrico brasileiro. Com regras definidas, espera-se uma redução na judicialização do setor, o que tende a atrair novos investimentos estrangeiros. A transparência nos processos de ressarcimento é um dos pilares defendidos pela Aneel para garantir que o consumidor final não seja sobrecarregado por custos de ineficiência sistêmica.

Para mais detalhes sobre as políticas de infraestrutura e energia no Brasil, acesse o portal oficial do Ministério de Minas e Energia. A resolução deste passivo é considerada vital para que o país mantenha sua liderança na transição energética global, assegurando que a expansão da matriz renovável ocorra de forma sustentável e economicamente equilibrada para todos os agentes envolvidos.

Fonte: canalenergia.com.br

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