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Produtividade menor pressiona margens do confinamento bovino no Brasil

Wenderson Araujo/CNA
Wenderson Araujo/CNA

O setor de pecuária de corte no Brasil enfrentou um cenário desafiador em abril de 2026. Segundo dados do Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP), elaborado pela Ponta Agro, a rentabilidade dos confinamentos foi pressionada não pelo preço dos insumos, mas pela queda na eficiência produtiva dos animais abatidos nas regiões Centro-Oeste e Sudeste.

Eficiência produtiva dita o ritmo das margens

Apesar de o custo diário da alimentação ter apresentado estabilidade, a redução no volume de arrobas produzidas por cabeça impactou diretamente os resultados financeiros. No Centro-Oeste, a produtividade caiu de 8,40 para 7,80 arrobas por animal, o que elevou o custo da arroba produzida em 18,76%, atingindo R$ 228,94.

No Sudeste, o fenômeno foi similar, embora com menor intensidade. O custo da arroba produzida na região subiu 6,43%, chegando a R$ 205,96. Esse movimento demonstra que a eficiência técnica no ganho de peso tornou-se o fator determinante para a saúde financeira do negócio no período.

Custos alimentares permanecem sob controle

O levantamento da Ponta Agro aponta que o controle dos gastos com nutrição animal foi um ponto positivo em abril. No Centro-Oeste, o ICAP registrou R$ 13,36 por cabeça ao dia, uma variação de 0,98% sobre o mês anterior. No Sudeste, o índice recuou 1,31%, fechando em R$ 12,03.

Essa estabilidade nos custos operacionais da dieta não foi suficiente, contudo, para neutralizar a perda de produtividade dos lotes. O mercado físico tentou reagir, com a arroba sendo cotada a R$ 346,00 no Centro-Oeste e R$ 351,00 no Sudeste, mas o avanço nos preços não compensou a queda na eficiência.

Impacto na rentabilidade e mercado externo

A rentabilidade por cabeça sofreu quedas significativas em ambas as regiões. O lucro no Centro-Oeste recuou 33,44%, situando-se em R$ 851,04, enquanto no Sudeste a redução foi de 11,90%, com o ganho por animal atingindo R$ 1.116,80. O Sudeste também manteve vantagem no mercado de exportação, com lucro estimado em R$ 1.186,10 por cabeça.

Apesar da retração mensal, o boletim da empresa reforça que a atividade ainda opera em patamares de rentabilidade historicamente elevados. O período serve como um alerta para os produtores sobre a necessidade de monitorar rigorosamente o desempenho técnico dos lotes, que agora assume um papel central na definição da margem final.

Fonte: globorural.globo.com

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