PUBLICIDADE

Anúncio não encontrado.

Produtores rurais de Vitória do Xingu desafiam demarcação da Funai na Volta Grande do Xingu

Produtores rurais de Vitória do Xingu desafiam demarcação da Funai na Volta Grande do Xingu
Reprodução / avozdoxingu.com.br

Uma equipe da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), acompanhada por agentes da Força Nacional, retornou nesta segunda-feira (21.set.2026) à região da Gleba Paquiçamba, em Vitória do Xingu, no sudoeste do Pará. A movimentação dos agentes, voltada para a ampliação da Terra Indígena Paquiçamba, na área da Volta Grande do Xingu, gerou um novo impasse com moradores locais.

A chegada das autoridades mobilizou produtores rurais e representantes de sindicatos, que se reuniram para questionar a base legal da ação. O clima de tensão atingiu o ápice no km 27, onde os agricultores exigiram a apresentação de documentos judiciais que autorizassem a entrada da equipe nas propriedades privadas.

Conflito fundiário e histórico de ocupação

Os produtores rurais afirmam que ocupam a região há cerca de quatro décadas. Muitos desses moradores possuem títulos definitivos de terra concedidos pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o que torna a situação jurídica complexa e motivo de resistência por parte das famílias.

Segundo os relatos dos moradores, nunca houve uma notificação oficial ou esclarecimento sobre a intenção de integrar suas propriedades ao território indígena. Diante da presença dos agentes, os agricultores reforçaram a união da comunidade e declararam que não pretendem deixar as áreas que ocupam e cultivam há gerações.

Disputa judicial e questionamento de portarias

A atual tensão na Volta Grande do Xingu não é um evento isolado. Em maio deste ano, uma situação similar ocorreu na região, culminando na suspensão dos trabalhos da Funai após uma associação de produtores obter uma liminar na Justiça Federal em Altamira. A decisão judicial exigia que o órgão apresentasse estudos detalhados sobre a necessidade de ampliação do território.

Além da questão da liminar, os produtores questionam a validade de uma portaria que fundamentaria a demarcação. Segundo os agricultores, o documento estaria vencido há mais de cinco anos, sem que houvesse qualquer renovação ou comunicação formal às famílias afetadas sobre a continuidade do processo administrativo.

Impacto socioeconômico da ampliação territorial

De acordo com dados citados pelos produtores, baseados em estudos preliminares da Funai, o projeto de ampliação da Terra Indígena Paquiçamba seria executado em três etapas distintas. O impacto total, caso o plano se concretize, atingiria um número expressivo de famílias que dependem da produção rural na região.

A primeira etapa abrangeria cerca de 15 mil hectares, afetando 27 famílias. A segunda fase atingiria 34 mil hectares e 45 famílias, enquanto a terceira etapa, a mais abrangente, envolveria 45 mil hectares e impactaria mais de 320 famílias. Até o momento, a Funai não se manifestou oficialmente sobre a continuidade das atividades no local.

Fonte: avozdoxingu.com.br

Leia mais

Últimas

PUBLICIDADE

Anúncio não encontrado.