O ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga, atualmente candidato ao Senado pela Paraíba, tem centrado sua campanha nas experiências adquiridas durante sua gestão à frente da pasta, de março de 2021 até o término do governo de Jair Bolsonaro, e em sua trajetória como cardiologista. O médico pretende capitalizar a defesa de sua atuação na campanha de vacinação contra a COVID-19, especialmente no auge da pandemia, ao mesmo tempo em que tece críticas à atual administração, liderada por Lula, em relação à imunização e à incorporação de novos medicamentos no sistema público de saúde.
Queiroga, no entanto, busca se desvincular de uma controvérsia específica que ganhou destaque entre figuras proeminentes do bolsonarismo: a “comoção” gerada em torno da audiência do médico e cientista americano Anthony Fauci no Senado dos Estados Unidos. Fauci, que liderou a resposta de Washington ao coronavírus e defendeu medidas como isolamento social e lockdowns antes da disponibilidade generalizada de vacinas, tornou-se um alvo frequente da extrema-direita global.
Queiroga defende gestão da saúde e critica atual governo
A plataforma eleitoral de Marcelo Queiroga é firmemente ancorada em sua experiência ministerial e profissional. Ele enfatiza os esforços de sua gestão para garantir a vacinação em massa durante a crise sanitária, um ponto que considera crucial para sua credibilidade junto ao eleitorado. Em contrapartida, o ex-ministro direciona críticas à administração atual, apontando supostos atrasos na vacinação da dengue e a falta de inclusão de novos medicamentos na Farmácia Popular, contrastando com as cinco novas inclusões que, segundo ele, ocorreram em seu período.
Distanciamento da polêmica em torno de Anthony Fauci
Em uma tentativa de modular a narrativa em torno de sua campanha, Queiroga expressou a VEJA a necessidade de afastar a “comoção” sobre Anthony Fauci. Ele citou as declarações de Flávio Bolsonaro, que, desde o início de sua candidatura à Presidência, reiterou ter se vacinado. Segundo Queiroga, Flávio Bolsonaro “reafirma a importância da vacinação e fala que a saúde tem que ser discutida sob um prisma técnico”, o que se alinha à postura do ex-ministro de priorizar a ciência e a técnica na discussão sobre saúde pública.
Contexto da audiência no Capitólio e a retórica antivacina
A audiência de Anthony Fauci no Senado americano ocorreu em um comitê presidido pelo republicano Rand Paul. Durante a pandemia, Paul havia levantado alegações infundadas de que estudos em Wuhan, na China, financiados pelo instituto de Fauci, teriam originado a COVID-19, acusações sempre negadas pelo cientista. No depoimento, Fauci invocou seu direito constitucional de não se autoincriminar, recusando-se a responder a várias perguntas dos congressistas.
Este episódio no Capitólio serviu para inflamar o movimento antivacina nos Estados Unidos, cujas ideias foram replicadas e amplificadas por figuras como os deputados federais Nikolas Ferreira e Eduardo Bolsonaro entre seus seguidores. Para Marcelo Queiroga, essa retórica, embora popular em certos círculos bolsonaristas, pode ser prejudicial aos candidatos de seu próprio partido, ao desviar o foco da importância da vacinação e de uma abordagem técnica para a saúde. A discussão sobre a vacinação, para o ex-ministro, deve transcender as polarizações políticas e focar nos benefícios comprovados para a saúde pública.
Fonte: veja.abril.com.br