A Procuradoria-Geral da República (PGR) foi acionada pelo PSOL para investigar o deputado federal Mario Frias (PL-SP) por suspeita de envolvimento em um esquema de rachadinha. A representação criminal, protocolada pelo deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), baseia-se em revelações de uma ex-funcionária do gabinete de Frias, que alegou ter devolvido parte de seu salário e pago despesas de familiares do parlamentar.
As acusações ganharam destaque após a ex-assessora detalhar o suposto esquema, que envolveria a devolução de valores ao então chefe de gabinete e o conhecimento do deputado sobre as práticas. Dada a prerrogativa de foro privilegiado de Mario Frias, apenas a PGR tem competência para conduzir investigações e apresentar eventuais denúncias criminais contra o parlamentar.
Acusação de rachadinha e o papel da PGR
A denúncia de rachadinha contra o deputado federal Mario Frias foi formalizada pelo PSOL, que encaminhou uma representação criminal à Procuradoria-Geral da República. Este tipo de crime, que envolve a apropriação indevida de parte do salário de funcionários públicos, é uma prática grave e sujeita a rigorosa apuração legal. A PGR, como órgão responsável pela investigação de autoridades com foro privilegiado, desempenha um papel crucial na análise da veracidade e das implicações das alegações.
O pedido de investigação sublinha a seriedade das acusações e a necessidade de uma apuração imparcial. A atuação da PGR é fundamental para garantir a transparência e a integridade no serviço público, especialmente em casos que envolvem parlamentares. A sociedade acompanha de perto o desdobramento dessas investigações, que podem ter amplas repercussões políticas e jurídicas.
Detalhes da denúncia e os pagamentos alegados
A ex-funcionária Gardênia Morais, que atuou como secretária parlamentar no gabinete de Mario Frias, é a principal voz por trás das acusações. Ela afirmou ter devolvido parte de seu salário ao então chefe de gabinete, Raphael Azevedo, e que o deputado tinha pleno conhecimento dessas transações. Segundo Morais, a prática era um “combinado inicial” e envolvia outras pessoas no gabinete.
Além das devoluções salariais, Gardênia Morais relatou ter efetuado pagamentos de despesas pessoais de familiares do parlamentar. Comprovantes apresentados indicam um Pix de R$ 1 mil em 29 de janeiro de 2024 para a mãe de Mario Frias, Maria Lucia Frias, e o pagamento de uma fatura de cartão de crédito de Juliana Frias, esposa do deputado, no valor de R$ 4.832,32. Essas transações teriam ocorrido entre fevereiro de 2023 e março de 2024, período em que Morais recebia um salário líquido que variava entre R$ 10 mil e R$ 21 mil, conforme publicado pelo G1.
Empréstimos consignados e dívidas de campanha
Um dos aspectos mais alarmantes da denúncia envolve uma série de empréstimos consignados realizados pela ex-funcionária. Gardênia Morais contraiu cinco empréstimos, totalizando R$ 174.886, dos quais grande parte teria sido transferida ao então chefe de gabinete, Raphael Azevedo. Apenas um desses empréstimos, segundo ela, foi para uso pessoal.
A ex-assessora alegou que os empréstimos foram feitos a pedido do deputado e do chefe de gabinete, com o objetivo de quitar dívidas relacionadas à campanha eleitoral de 2022. A situação se agrava com a informação de que todos esses empréstimos permanecem em aberto no Serasa, sem quitação. As transferências para Azevedo em 2023 e 2024 somaram pouco mais de R$ 11 mil, e sua ex-mulher também teria recebido R$ 22,4 mil em sete transferências entre maio e novembro de 2023.
Repercussão e o posicionamento dos envolvidos
As denúncias, inicialmente divulgadas pelo G1, geraram uma imediata repercussão no cenário político. A assessoria do deputado Mario Frias foi procurada para um posicionamento, mas até o momento não houve retorno. O espaço permanece aberto para qualquer manifestação do parlamentar ou de sua equipe.
Raphael Azevedo, ex-chefe de gabinete, também não foi contatado pelo UOL para comentar as alegações. A ex-funcionária Gardênia Morais deixou o cargo em maio de 2024, enquanto Azevedo se desligou da chefia de gabinete em fevereiro do mesmo ano. A investigação da PGR será crucial para esclarecer os fatos e determinar as responsabilidades neste complexo caso.
Fonte: blogdomagno.com.br