Expansão da produção de fertilizantes no Rio Grande do Sul
O governo do Rio Grande do Sul oficializou a concessão de licença ambiental para a Águia Fertilizantes, subsidiária da empresa australiana Aguia Resources. A autorização permite que a companhia opere uma mina e uma unidade de processamento de fertilizantes fosfatados localizada em Caçapava do Sul. O documento foi entregue formalmente na sexta-feira, 15/5, pelo governador em exercício, Gabriel Souza, acompanhado pela secretária do Meio Ambiente e Infraestrutura, Marjorie Kauffmann, e pelo presidente da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), Renato Chagas.
O empreendimento, denominado Projeto Fosfato Três Estradas, possui capacidade projetada para processar até 150 mil toneladas de fosfatados anualmente. Para o ciclo de 2026, a expectativa da empresa é atingir a marca de 70 mil toneladas produzidas. A estrutura operacional da fábrica foi viabilizada por meio de um contrato de arrendamento com duração de dez anos firmado com a empresa gaúcha Dagoberto Barcellos, especializada na mineração de calcário.
Investimentos e estratégia de mercado
Desde o início das atividades em 2011, a Águia Fertilizantes já destinou cerca de R$ 230 milhões ao projeto. Os recursos foram aplicados em pesquisas minerais, estudos de impacto ambiental, desenvolvimento de infraestrutura de mina, adequações industriais e processos de licenciamento. A empresa projeta, para 2027, a construção de uma nova fábrica no complexo de Três Estradas, em Lavras do Sul, com o objetivo de dobrar a capacidade produtiva para 300 mil toneladas por ano.
A estratégia comercial da companhia foca na substituição de importações, dado que o Brasil depende do mercado externo para suprir aproximadamente 70% de suas necessidades de fosfatados. Atualmente, o mercado gaúcho é atendido integralmente por produtos importados de empresas europeias, o que eleva os custos logísticos. A operação local busca mitigar essa dependência, oferecendo uma alternativa regional mais competitiva para o setor agrícola.
Sustentabilidade e diferenciais do produto
Um dos pilares da operação é a marca Pampafos, um fertilizante derivado da erosão natural de rocha fosfática, sem a adição de componentes químicos sintéticos. A empresa busca obter a certificação de produto orgânico, visando atender tanto lavouras de grãos quanto pastagens destinadas à pecuária. O insumo já passou por seis safras de testes em solo brasileiro antes de receber a autorização para operação em larga escala.
Além do projeto no Rio Grande do Sul, a Aguia Resources mantém um portfólio diversificado com exploração de cobre no estado e projetos de mineração de ouro, prata e cobre na Colômbia. A iniciativa reforça a tendência de busca por autonomia produtiva no agronegócio nacional, conforme detalhado em análises sobre o setor de insumos.
Fonte: globorural.globo.com