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Rodoviários paralisam atividades por salários atrasados e afetam trânsito em via principal

Rodoviários paralisam atividades por salários atrasados e afetam trânsito em via principal
Reprodução Aprovinciadopara

Uma paralisação de rodoviários da Viação Montecristo impactou o trânsito em uma das principais vias da cidade, a Avenida Almirante Barroso, entre as travessas Enéas Pinheiro e Pirajá, no bairro do Marco. A manifestação, que teve início por volta das 6h, é uma resposta à falta de pagamento de salários e outros direitos trabalhistas, gerando transtornos para os passageiros e expondo a crise enfrentada pela empresa de transporte coletivo.

Motoristas, cobradores, fiscais e mecânicos estão entre os funcionários que cruzaram os braços. A reivindicação central é o pagamento de salários que estariam em atraso desde o mês de abril, além de vales-alimentação e férias. Estes direitos, segundo os trabalhadores, já haviam sido acordados em uma manifestação anterior, que também paralisou as atividades da empresa devido a problemas de pagamentos. A recorrência desses protestos evidencia uma situação crônica de dificuldades financeiras e administrativas na companhia.

Reivindicações Urgentes e Condições Precárias da Frota

Os trabalhadores da Viação Montecristo detalham uma série de problemas que motivaram a atual paralisação. Além dos salários e vales-alimentação em atraso, há queixas sobre o não cumprimento de acordos referentes a férias e outros benefícios essenciais. A situação financeira precária da empresa é um ponto de preocupação constante para os empregados, que dependem desses pagamentos para o sustento de suas famílias e para honrar compromissos financeiros.

A frota de ônibus da Viação Montecristo, que conta com menos de vinte veículos, também é alvo de denúncias graves. Os rodoviários afirmam que os veículos estão “sucateados”, indicando uma severa falta de manutenção e investimento em renovação. Um dos relatos mais alarmantes aponta para a escassez de óleo diesel, com dias em que não há combustível suficiente para abastecer os ônibus. Essa deficiência não apenas compromete a operação diária e a pontualidade do serviço, mas também levanta preocupações sobre a segurança dos passageiros e dos próprios trabalhadores, além de agravar a percepção de um serviço público deficiente.

Estratégia de Protesto e Apoio Sindical

A manifestação na Avenida Almirante Barroso é apoiada pelo Sindicato dos Rodoviários do Estado do Pará, que busca garantir os direitos dos trabalhadores. Os funcionários têm adotado uma tática de fechamento parcial da via, uma estratégia para maximizar a visibilidade do protesto e a pressão sobre a empresa e as autoridades. Em alguns momentos, a pista do BRT é liberada para a passagem de ônibus, mas é bloqueada novamente para forçar as negociações e evitar que a pauta seja ignorada. Essa alternância busca equilibrar a necessidade de visibilidade com a minimização de impactos extremos à população, embora o trânsito seja inevitavelmente afetado.

Os rodoviários enfatizam que o protesto é uma medida justa e necessária diante da persistente falta de respostas da empresa. Eles buscam diálogo com representantes do Ministério Público do Trabalho, na esperança de encontrar uma solução viável e duradoura que garanta não apenas o pagamento imediato, mas também a estabilidade futura para os trabalhadores que têm famílias e dívidas a pagar. A garagem e administração da Viação Montecristo estão localizadas na Avenida Visconde de Inhaúma, no mesmo bairro da manifestação, facilitando a concentração dos protestos nas proximidades da sede da empresa.

Desafios Sistêmicos do Setor de Transporte Coletivo

O Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Belém (Setransbel) se manifestou sobre a situação, contextualizando os desafios enfrentados pelas empresas do setor em um cenário mais amplo. Segundo o Setransbel, a concorrência acirrada com outras modalidades de transporte público, como aplicativos e transporte alternativo, aliada à manutenção de um preço de passagem considerado muito baixo, dificulta significativamente a cobertura dos custos operacionais. Gastos essenciais com combustível, pneus, manutenção e renovação de frota, além do pagamento de funcionários, tornam-se um fardo pesado para as operadoras, que alegam operar com margens cada vez mais apertadas.

A Viação Montecristo, em particular, tem sido destacada como uma das empresas com mais problemas nos últimos dois anos, tornando-se um símbolo das dificuldades do setor. A companhia registra um histórico de paralisações frequentes de trabalhadores, sempre motivadas pela falta de pagamentos e pela deterioração das condições de trabalho. Essa recorrência sublinha a persistência dos desafios financeiros e administrativos que afetam diretamente a prestação do serviço essencial de transporte público e a vida dos empregados, impactando a mobilidade urbana e a qualidade de vida dos cidadãos que dependem desses ônibus diariamente.

Para mais informações sobre direitos trabalhistas e negociações coletivas, consulte o Ministério do Trabalho e Previdência.

Fonte: aprovinciadopara.com.br

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