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Rotina de sono consistente pode retardar o envelhecimento biológico segundo estudo

G1/Arthur Almeida- Revista Galileu) Post navigation ← Post anterior Post seguinte → Fale conosco Anuncie no si
Reprodução Correiodecarajas

Manter horários consistentes para dormir, acordar e realizar atividades ao longo do dia pode estar diretamente ligado a um envelhecimento biológico mais lento. Esta é a principal conclusão de um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, publicado recentemente na prestigiada revista científica JAMA Network Open. A pesquisa reforça a tese de que a regularidade dos hábitos diários é tão importante quanto a quantidade de horas de repouso.

O estudo analisou dados de 207 participantes do Baltimore Epidemiologic Catchment Area (ECA), uma pesquisa populacional de longa duração. Os voluntários, que apresentavam uma idade média de 68 anos, utilizaram dispositivos vestíveis no pulso por sete dias consecutivos. Esses aparelhos registraram os ritmos de repouso e atividade, enquanto diários detalhados foram mantidos para documentar períodos de sono e cochilos.

Ciência dos relógios epigenéticos e análise celular

Para mensurar o impacto da rotina no organismo, os cientistas compararam os registros dos dispositivos com exames de sangue focados no envelhecimento fisiológico. Foram utilizados quatro modelos conhecidos como relógios epigenéticos: Horvath, Hannum, PhenoAge e GrimAge. Essas ferramentas analisam alterações químicas no DNA que se acumulam ao longo da vida e servem como indicadores precisos da idade biológica de um indivíduo.

Os dados revelaram que os participantes com rotinas mais regulares apresentavam indicadores biológicos compatíveis com uma idade fisiológica mais jovem. Essa associação foi particularmente forte nos relógios GrimAge e PhenoAge. O estudo demonstrou que uma distinção clara entre a atividade diurna e o repouso noturno, com poucas interrupções, é um fator determinante para a longevidade celular.

A análise estatística manteve os resultados significativos mesmo após o ajuste de variáveis externas. Fatores como idade cronológica, sexo, nível de escolaridade e condições preexistentes de saúde não alteraram a conclusão de que a constância do ciclo circadiano protege o corpo contra o desgaste acelerado do tempo.

Rotina de sono e a preservação da juventude biológica

Adam Spira, professor da Johns Hopkins e coautor sênior da pesquisa, destaca que os ritmos de repouso-atividade são marcadores úteis da taxa de envelhecimento. Segundo o especialista, esses ritmos podem se tornar alvos estratégicos para intervenções médicas que busquem atrasar o processo natural de envelhecimento. A consistência aparece como o elemento central para manter o equilíbrio biológico.

Embora a ciência já associe a privação de sono a riscos elevados de demência e declínio cognitivo, este novo trabalho traz uma perspectiva inovadora. Mais do que apenas a duração do sono, a continuidade e a regularidade dos ciclos cotidianos parecem ser a chave. Obter a mesma quantidade de descanso e atividade todos os dias fortalece a capacidade de reparo celular do organismo.

A pesquisa sugere que a estabilidade do relógio biológico interno ajuda a regular processos metabólicos essenciais. Quando o corpo sabe exatamente quando deve estar ativo ou em repouso, o estresse fisiológico diminui, permitindo que os mecanismos de manutenção do DNA operem de forma mais eficiente ao longo das décadas.

Desafios e o futuro das intervenções na longevidade

Apesar dos resultados promissores, os autores ressaltam que o estudo é exploratório e possui limitações, como o número reduzido de participantes e a análise transversal dos dados. Brion Maher, também professor da Johns Hopkins, observa que a pesquisa focou em adultos saudáveis que já atingiram idades avançadas, o que pode representar um grupo com resistência biológica superior à média populacional.

O próximo passo da equipe científica envolve a realização de estudos longitudinais para acompanhar os participantes ao longo de vários anos. O objetivo é determinar se o enfraquecimento dos ritmos de atividade precede a aceleração do envelhecimento ou se é uma consequência dele. Essa distinção de causa e efeito é fundamental para o desenvolvimento de novas terapias.

No futuro, os especialistas esperam que dispositivos vestíveis, como relógios inteligentes, possam monitorar continuamente esses marcadores de envelhecimento. Ensaios clínicos também estão nos planos para testar se intervenções práticas para regularizar o ciclo circadiano podem, de fato, desacelerar o envelhecimento fisiológico em larga escala.

Fonte: correiodecarajas.com.br

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