O setor de saneamento brasileiro enfrenta um momento decisivo, exigindo medidas corajosas para superar gargalos históricos. Durante o Seminário Brasil Hoje, realizado nesta segunda-feira (14) pela Esfera Brasil, a secretária da Semil SP (Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo), Natália Resende, defendeu que o segmento precisa “colocar o dedo na ferida” para viabilizar avanços estruturais necessários à universalização dos serviços.
Desafios estruturais e a modernização das redes
Para a secretária, a superação dos problemas de saneamento não pode ser postergada por receios operacionais. Ela destacou que o foco deve recair sobre a substituição de redes envelhecidas, uma intervenção que, embora cause impactos temporários na rotina urbana e no trânsito, é indispensável para a eficiência do sistema. Segundo Resende, essa estratégia deve ser sustentada por uma governança fortalecida e um marco regulatório sólido, garantindo que as obras tragam benefícios duradouros à população.
Reúso de água e novas diretrizes regulatórias
O debate sobre a universalização também trouxe à tona a necessidade de inovações no manejo dos recursos hídricos. A diretora da ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico), Larissa Rêgo, enfatizou que o setor deve priorizar políticas de reúso de água como pilar estratégico. O tema tem sido objeto de consultas públicas conduzidas pela agência entre 2025 e 2026, sinalizando uma mudança de paradigma na gestão da oferta e demanda hídrica no país.
Debates sobre financiamento e mobilidade urbana
O evento também serviu de palco para discussões sobre o financiamento de grandes obras. O presidente do Conselho de Administração do BTG Pactual, André Esteves, questionou a eficácia da atual abundância de debêntures incentivadas. Para o executivo, o volume excessivo de títulos isentos de tributação para projetos de infraestrutura merece uma reavaliação crítica por parte do mercado e do governo.
Paralelamente, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, apresentou o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU). O projeto mapeia 187 iniciativas voltadas à expansão do transporte coletivo em 21 regiões metropolitanas. Com uma estimativa de investimento de R$ 430 bilhões ao longo de 30 anos, a iniciativa busca viabilizar o transporte de massa em larga escala, conforme detalhado pela Agência iNFRA.
Fonte: agenciainfra.com