Um relatório recente do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUE) emitiu um alerta severo: o aumento da temperatura global deve ultrapassar o limite de 1,5 °C estabelecido pelo Acordo de Paris nos próximos anos. Esse cenário acelera a degradação ambiental, incluindo o recuo de camadas de gelo, a elevação do nível do mar e o declínio acentuado de recifes de coral e florestas tropicais. Segundo o PNUE, não existem cenários positivos caso esse patamar seja superado, tornando urgente a adoção de estratégias para minimizar o impacto.
Em resposta a esse desafio, uma investigação de referência realizada pelo The Earthshot Prize e pela Universidade de Exeter identificou 51 soluções capazes de desencadear uma mudança rápida e transformadora para o planeta nos próximos cinco anos. O estudo, que define cinco conjuntos prioritários de ações, busca desbloquear o que os especialistas chamam de “pontos de viragem positivos”, onde o progresso se torna autossustentado e os custos diminuem à medida que a implementação ganha escala.
Energia limpa como motor da transição global
A transição para fontes renováveis, como a solar e a eólica, já superou pontos de viragem críticos em diversos mercados. No ano passado, essas fontes representaram 30% da eletricidade na União Europeia, superando pela primeira vez a geração a partir de combustíveis fósseis. Apenas na UE, a produção solar atingiu o recorde de 369 TWh, um aumento de 20% em relação a 2025.
A eletricidade limpa atua como um efeito de alavanca para outros setores, permitindo a expansão da mobilidade elétrica, o uso de bombas de calor e o desenvolvimento de indústrias sustentáveis. Contudo, o relatório aponta que as principais barreiras atuais residem na necessidade de expansão das redes elétricas, na reforma dos processos de licenciamento e na correção do déficit de investimento em energia limpa no Sul Global.
Desenvolvimento industrial e soberania energética em África
Embora o continente africano detenha 60% dos melhores recursos solares do mundo, ele recebe menos de 2% do investimento global em energia limpa. Para reverter essa dependência, economias como África do Sul, Marrocos e Nigéria estão acelerando planos para fabricar painéis solares localmente. Marrocos, por exemplo, duplicou sua produção para cerca de um gigawatt por ano, consolidando a energia renovável como um pilar da política industrial e do desenvolvimento econômico verde.
Avanços na conservação marinha e segurança alimentar
Além da matriz energética, a conservação dos oceanos apresenta resultados promissores. Medidas bem aplicadas têm gerado uma recuperação visível nas reservas de peixe e na biodiversidade marinha. Com a entrada em vigor do Tratado do Alto Mar, que protege áreas além da jurisdição nacional, espera-se que a resiliência climática das populações costeiras seja fortalecida, garantindo a segurança alimentar em regiões que dependem diretamente da saúde dos ecossistemas aquáticos.