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Supercomputador de R$ 1 bilhão é anunciado para o Rio Grande do Norte visando soberania digital

Supercomputador de R$ 1 bilhão é anunciado para o Rio Grande do Norte visando soberania digital
Magno Martins - 2023

O Brasil deu um passo significativo em sua infraestrutura tecnológica com o anúncio da instalação de um supercomputador de alto desempenho no Rio Grande do Norte. O projeto, que representa um investimento de R$ 1,06 bilhão, visa impulsionar a capacidade nacional em processamento de dados e inteligência artificial, marcando um avanço crucial na busca pela soberania digital do país.

A iniciativa foi detalhada durante um evento no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo (PAX), em Macaíba, na Grande Natal. Este investimento faz parte de um esforço mais amplo do governo federal para distribuir recursos e oportunidades de desenvolvimento tecnológico por todo o território nacional, priorizando regiões com maior necessidade de fomento.

Investimento estratégico para a capacidade computacional brasileira

O projeto do supercomputador prevê a alocação de R$ 960 milhões para a aquisição do equipamento em si e R$ 100 milhões adicionais para as etapas de preparação e operação da estrutura. Os recursos são provenientes do CT-Infra, um instrumento de financiamento dedicado à infraestrutura de pesquisa, e a iniciativa está integrada ao Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA).

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações do Brasil, Luciana Santos, enfatizou que a aquisição vai além da simples compra de uma máquina. Ela destacou a existência de contrapartidas que as empresas fornecedoras deverão cumprir, visando gerar benefícios estruturantes e fomentar um ecossistema tecnológico robusto em torno do equipamento.

Rio Grande do Norte: polo de inovação e energia limpa

A escolha do Rio Grande do Norte para sediar o supercomputador foi uma decisão estratégica, conforme explicou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele ressaltou a importância de direcionar investimentos para além dos centros econômicos mais desenvolvidos do país, visando uma distribuição mais equitativa do progresso tecnológico.

A governadora Fátima Bezerra (PT) complementou, afirmando que o estado apresentou as condições técnicas mais adequadas para receber o equipamento. Entre os fatores decisivos, destacou-se não apenas a localização estratégica, mas também a abundância de energia limpa, proveniente de fontes renováveis como eólica e solar, um insumo fundamental para a operação de uma estrutura de tamanha magnitude.

O poder de processamento do novo supercomputador

O equipamento a ser instalado no PAX terá uma capacidade impressionante de 7.200 petaflops de desempenho em FP16, um formato utilizado em aplicações de inteligência artificial. Com mais de 50 mil núcleos de processamento, o supercomputador poderá realizar até 7,2 quintilhões de operações por segundo.

Para ilustrar essa capacidade, Marcelo Fernandes, diretor do Núcleo de Inteligência Artificial (Metrópole IA) do IMD/UFRN, explicou que, se 8 bilhões de pessoas realizassem um cálculo por segundo, seriam necessários aproximadamente 29 anos para atingir o volume de operações que o supercomputador processará em apenas um segundo. O consumo elétrico estimado para a operação é de 4 megawatts.

Plano Nacional de Inteligência Artificial e suas frentes

A instalação do supercomputador no Rio Grande do Norte é uma das três principais frentes apresentadas pelo governo federal para expandir a infraestrutura brasileira de supercomputação no âmbito do PBIA. A primeira rota é a aquisição para o RN, enquanto a segunda envolve uma cooperação tecnológica com a China, com uma estrutura planejada para o Rio de Janeiro. A terceira frente prevê o desenvolvimento de chips com arquitetura aberta, a ser implementado em Campinas, São Paulo.

Com um investimento total de R$ 23 bilhões entre 2024 e 2028, o PBIA visa reduzir a dependência brasileira de capacidade computacional contratada no exterior. O plano abrange ações em infraestrutura tecnológica, formação de profissionais, pesquisa, inovação e diversas aplicações de inteligência artificial, beneficiando universidades, instituições de tecnologia, empresas e órgãos públicos, conforme informações do g1.

Impactos esperados na ciência, economia e energia

A escolha do Rio Grande do Norte é vista como estratégica não apenas pela localização física do equipamento, mas também pelo potencial de impacto em múltiplos setores. Na área científica, espera-se um aumento significativo na capacidade de pesquisa e formação em inteligência artificial e computação de alto desempenho, com integração a universidades e centros de pesquisa da região Nordeste.

Do ponto de vista econômico, o governo projeta a atração de pesquisadores, startups e empresas de tecnologia para o estado e para a região, fomentando um polo de inovação. Além disso, a forte matriz energética renovável do Rio Grande do Norte, com predominância de fontes eólica e solar, é um diferencial que se alinha perfeitamente com as demandas de energia do novo supercomputador, reforçando a sustentabilidade da iniciativa.

Fonte: blogdomagno.com.br

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