O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) proferiu uma decisão unânime nesta quinta-feira, 27, que impõe restrições severas à campanha de Anthony Garotinho (Republicanos) ao governo do estado. Por determinação da corte, o candidato está impedido de utilizar recursos provenientes do fundo eleitoral, bem como de acessar o horário eleitoral gratuito e participar de debates televisionados. A medida impacta diretamente a estratégia de visibilidade e financiamento da candidatura.
Implicações da condenação por improbidade administrativa
A restrição imposta pelo tribunal decorre de uma condenação por improbidade administrativa que culminou na suspensão dos direitos políticos de Anthony Garotinho por oito anos. O processo, que transitou em julgado no Supremo Tribunal Federal (STF) em julho de 2025, refere-se a irregularidades cometidas durante o período em que o político atuava como secretário de Governo na gestão de sua esposa, a ex-governadora Rosinha Garotinho. Com a execução da sentença determinada neste mês, a suspensão dos direitos políticos do ex-governador permanece vigente até 2033.
Origem do processo e desvios na Saúde
O caso remonta a uma ação civil pública iniciada pelo Ministério Público em 2008, envolvendo um total de 34 pessoas. A acusação detalha um esquema estruturado em torno do projeto denominado Saúde em Movimento, que teria movimentado cerca de R$ 234 milhões por meio de uma complexa rede de 138 organizações, contratos e subcontratações. As investigações apontaram desvios significativos de verbas públicas destinadas à área da saúde estadual.
Sanções financeiras e desdobramentos jurídicos
Além da suspensão dos direitos políticos, a condenação impõe a Anthony Garotinho o pagamento de uma multa de R$ 778 mil e o ressarcimento integral aos cofres públicos dos valores desviados. O ex-governador foi ainda sentenciado ao pagamento de R$ 11,9 milhões a título de danos morais coletivos. Recentemente, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro também negou um pedido da defesa que buscava a rescisão de parte da condenação, mantendo as sanções inalteradas.
Embora a decisão do TRE-RJ restrinja as atividades de campanha, a defesa do candidato ainda possui a possibilidade de recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Paralelamente, o próprio Tribunal Regional Eleitoral deve analisar o registro de candidatura de Anthony Garotinho na próxima semana, o que definirá o futuro de sua participação no pleito.
Fonte: veja.abril.com.br