Decisão judicial abala a estrutura do principal partido de oposição
Um tribunal na Turquia anulou, na quinta-feira, a eleição interna que definiu a liderança do Partido Republicano do Povo (CHP) em 2023. A sentença, divulgada pela agência estatal Anadolu, determina o afastamento do atual líder, Özgür Özel, e ordena que o antigo presidente da legenda, Kemal Kılıcdaroglu, assuma o cargo de forma interina. O desdobramento jurídico provocou uma reação imediata na cúpula do partido, que convocou seus membros para reuniões de emergência na sede em Ancara.
A instabilidade política gerada pela medida refletiu-se rapidamente no mercado financeiro. O BIST 100, principal índice da bolsa de valores de Istambul, registrou uma queda superior a 6% logo após a divulgação da notícia. O cenário eleva a tensão entre o governo do presidente Recep Tayyip Erdoğan e a oposição, que acusa o poder judiciário de atuar como uma ferramenta de perseguição política.
Alegações de irregularidades e disputa judicial
O processo judicial baseia-se em denúncias de compra de votos durante o congresso do CHP realizado em novembro de 2023. Segundo os procuradores, Özgür Özel teria garantido sua vitória por meio de promessas de empregos e outras vantagens indevidas oferecidas a delegados partidários. Embora um tribunal de Ancara tenha arquivado uma denúncia similar em outubro por falta de provas, a decisão foi revertida após recurso da acusação.
O partido nega veementemente todas as acusações e classifica o episódio como um golpe político. Analistas observam que o movimento ocorre em um momento de ascensão do CHP, que obteve resultados expressivos nas eleições autárquicas de 2024, superando o Partido AK de Erdoğan. A oposição sustenta que a manobra visa enfraquecer a sigla mais antiga do país diante da crescente popularidade demonstrada nas pesquisas recentes.
Contexto de pressão contra a oposição
A trajetória do CHP sob o comando de Özgür Özel marcou uma mudança significativa na dinâmica política turca. Após substituir Kemal Kılıcdaroglu, que acumulou derrotas eleitorais, Özel liderou o partido em uma vitória expressiva nas urnas e tornou-se uma figura central nos protestos de rua. As manifestações ganharam força após a prisão de Ekrem İmamoğlu, presidente da câmara de Istambul e principal nome da oposição.
Ekrem İmamoğlu enfrenta atualmente uma série de processos judiciais complexos. Entre as acusações, que o político classifica como perseguição, estão denúncias de corrupção, espionagem e supostas ligações com o terrorismo. Em um dos processos, iniciado em 9 de março, o Ministério Público solicita penas que, somadas, poderiam chegar a 2.430 anos de prisão. Para mais informações sobre o cenário político regional, consulte a cobertura da Euronews.