PUBLICIDADE

Anúncio não encontrado.

Casos de violência contra crianças e adolescentes disparam mais de 120% em cinco anos

garotas. Enquanto os meninos aparecem em 38% dos casos, as meninas e adolescente
Reprodução Correiodecarajas

As denúncias de violência contra crianças e adolescentes registraram um aumento significativo no país, mais que dobrando em um período de cinco anos. Dados recentes, compilados pelo Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde e analisados pela Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), revelam um cenário preocupante. Em 2020, foram contabilizadas 73.635 ocorrências, número que saltou para 165.413 em 2025, representando um crescimento de 125%.

Este expressivo aumento nas notificações sublinha a persistência e a gravidade da violência que afeta a população infantojuvenil. O levantamento, divulgado recentemente, aponta que, entre 2020 e 2025, o Sinan recebeu um total de 685.629 registros envolvendo vítimas com idades entre 0 e 18 anos, evidenciando a necessidade urgente de fortalecer as redes de proteção e as políticas públicas.

Aumento alarmante nas notificações de violência infantojuvenil

A análise detalhada dos dados do Sinan demonstra que a violência infantojuvenil é um problema de saúde pública com proporções crescentes. O salto de mais de 120% nas denúncias em apenas cinco anos reflete, por um lado, uma possível melhoria nos mecanismos de notificação e conscientização, mas, por outro, a triste realidade de que um número cada vez maior de crianças e adolescentes está sendo exposto a situações de agressão e vulnerabilidade.

O volume de casos notificados, que ultrapassa a marca de meio milhão em cinco anos, exige uma resposta coordenada e multifacetada. A compreensão das características dessas ocorrências é fundamental para o desenvolvimento de estratégias eficazes de prevenção e intervenção, visando proteger os direitos e o bem-estar das futuras gerações.

Perfil das vítimas e tipos de agressão mais frequentes

O estudo da SPDM também detalhou o perfil das vítimas e os tipos de violência mais predominantes. As meninas e adolescentes do sexo feminino são as mais afetadas, representando 62% dos casos, enquanto os meninos correspondem a 38% das denúncias. Em relação à classificação racial, a maioria das vítimas (49,1%) foi identificada como parda, seguida por brancas (35,7%) e negras (7,6%).

Quanto à natureza das agressões, a violência sexual se destaca como a ocorrência mais frequente, concentrando 34% das notificações. Em seguida, aparecem os casos de negligência e abandono, com 33,3%, e a violência física, com 32%. A proximidade percentual entre esses três tipos de violência ressalta a complexidade e a diversidade das formas de agressão enfrentadas por crianças e adolescentes.

O ambiente doméstico como palco principal e a faixa etária de maior risco

Um dos aspectos mais alarmantes revelados pela pesquisa é que o ambiente doméstico é o local onde a maioria das agressões ocorre. A confiança e a segurança que deveriam ser encontradas em casa são, infelizmente, rompidas em muitos casos. A mãe da vítima foi identificada como agressora em 34% das ocorrências, e o pai em 26% dos registros, indicando a necessidade de abordar a dinâmica familiar nas ações de prevenção e apoio.

A análise por faixa etária mostra que a adolescência concentra o maior número de notificações, com 43% do total (294.010 registros). A primeira infância, que abrange crianças de até 6 anos, registrou 256.601 casos (37%), enquanto a segunda infância, entre 7 e 12 anos, contabilizou 135.018 casos (20%). Esses dados indicam que todas as fases do desenvolvimento infantojuvenil estão suscetíveis à violência, com picos na adolescência.

Impactos duradouros e a urgência de ação integrada

O presidente da SPDM, Ronaldo Laranjeira, enfatizou que o volume de notificações evidencia a violência contra crianças e adolescentes como um problema grave e persistente. Ele alertou para os impactos que podem se estender por toda a vida das vítimas, afetando seu desenvolvimento físico, emocional, social e educacional. “É fundamental fortalecer a atuação integrada entre saúde, assistência social, educação e sistema de justiça”, afirmou Laranjeira, sublinhando a importância de uma abordagem conjunta para mitigar as consequências e prevenir futuras agressões.

A qualificação contínua dos profissionais para a identificação precoce dos sinais de violência, o fortalecimento das redes de proteção e a ampliação das ações de prevenção voltadas às famílias e comunidades são medidas essenciais, conforme apontado pela SPDM. A conscientização e o engajamento de toda a sociedade são cruciais para reverter esse cenário.

Panorama regional: crescimento em todo o território nacional

O estudo revelou que o crescimento das notificações de violência foi observado em todas as regiões do Brasil durante o período analisado. Quatro estados — São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais — concentraram, juntos, 52% de todas as notificações registradas. Isso sugere uma maior capacidade de registro ou uma concentração de casos nessas localidades.

Em termos de variação percentual, o Nordeste liderou com um salto de 1.200%, seguido pelas regiões Norte (809%), Centro-Oeste (508%), Sul (421%) e Sudeste (221%). Esses números regionais destacam a amplitude do problema e a necessidade de políticas públicas adaptadas às realidades de cada área do país. Para mais informações sobre o tema, consulte fontes confiáveis como a Agência Brasil.

Fonte: correiodecarajas.com.br

Leia mais

Últimas

PUBLICIDADE

Anúncio não encontrado.