O cenário político em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, ganha novos contornos com a emergência do deputado federal Patrus Ananias (PT-MG) como uma das principais opções para a disputa ao governo do estado. Ex-prefeito de Belo Horizonte entre 1993 e 1996, Ananias é reconhecido por ter iniciado uma sequência de gestões de esquerda na capital mineira, consolidando seu nome na política local e nacional.
Apesar de seu desejo declarado de buscar a reeleição para a Câmara dos Deputados, uma recente declaração de Patrus Ananias, feita em sua cidade natal, Bocaiúva, deixou em aberto a possibilidade de uma candidatura ao governo. “Meu desejo é continuar como deputado, mas, sobre outro cargo, vou conversar antes com o presidente Lula”, afirmou, indicando que a decisão final pode depender de um diálogo com o líder petista.
Patrus Ananias: A nova opção do PT para Minas Gerais
A candidatura de Patrus Ananias é vista com bons olhos por parte da cúpula do PT em Minas Gerais. Sua proximidade com a presidente estadual do partido, a deputada Marilene Alves, conhecida como Leninha, tem impulsionado as conversas sobre sua viabilidade eleitoral. Aliados de Leninha acreditam que Ananias apresenta o perfil mais forte entre os nomes cogitados até o momento.
Além de sua trajetória como prefeito de Belo Horizonte, Patrus Ananias possui um currículo robusto no governo federal. Ele foi ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome entre 2004 e 2010, período em que foi responsável pela implementação do Programa Bolsa Família, uma das políticas sociais mais emblemáticas dos primeiros governos de Lula. Posteriormente, atuou como ministro do Desenvolvimento Agrário durante a gestão de Dilma Rousseff, entre 2015 e 2016, consolidando sua influência e reconhecimento dentro do partido.
Complexas negociações e a busca por alianças estratégicas
A busca por um candidato ao governo de Minas Gerais tem sido um desafio para o PT, que chegou a menos de três meses da eleição sem um palanque definido para o projeto do presidente Lula. A ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT-MG), que lidera as pesquisas para o Senado, tem defendido uma estratégia de não ter cabeça de chapa petista, mas sim integrar um grupo amplo de centro-esquerda.
Marília Campos tem articulado com pré-candidatos de outros partidos, como Gabriel Azevedo (MDB) e Jarbas Soares (PSB), buscando formar uma frente mais abrangente. No entanto, as negociações enfrentam obstáculos. Aliados de Gabriel Azevedo, por exemplo, afirmam que sua candidatura é um fato desde novembro de 2025 e que ele concorrerá com ou sem o apoio do PT e de Lula. O MDB, por sua vez, tem sido categórico em rejeitar a presença do PT na cabeça de chapa, limitando o diálogo a uma possível vaga ao Senado para Marília Campos.
Outras candidaturas e o cenário de indefinição
As lideranças estaduais do PT expressam ressalvas em relação a Gabriel Azevedo, citando seu histórico de mudanças partidárias constantes (PSDB, PHS, Patriota e MDB em treze anos) e uma percepção de baixa capilaridade fora da capital. O nome de Jarbas Soares, procurador de Justiça, também tem encontrado dificuldades, com o PSB dialogando com o MDB para outras composições.
Além de Patrus Ananias, outros nomes petistas foram considerados para a disputa, como o deputado federal Paulo Guedes (PT-MG) e a ex-reitora da UFMG, Sandra Goulart (PT-MG). Ambos demonstraram reticência e condicionaram uma possível candidatura a acordos e conversas com Lula, que ainda não avançaram. A entrada de Patrus Ananias na discussão pode injetar um novo ânimo no PT mineiro, que, em sua maioria, não vislumbra grandes chances de vitória com um nome próprio neste momento.
Nomes cogitados pelo PT para o governo de Minas Gerais:
- Rodrigo Pacheco (PSB)
- Alexandre Kalil (PDT)
- Josué Gomes (PSB)
- Marília Campos (PT)
- Paulo Guedes (PT)
- Sandra Goulart (PT)
- Gabriel Azevedo (MDB)
- Jarbas Soares (PSB)
- Patrus Ananias (PT)
Fonte: veja.abril.com.br