A Espanha ratificou um acordo crucial com a União Europeia e o Reino Unido para regular a situação de Gibraltar após o Brexit, marcando um passo significativo nas relações pós-saída britânica do bloco. O pacto, assinado em Bruxelas, visa estabelecer um novo enquadramento para o território britânico, garantindo a livre circulação e a cooperação, mas sem alterar a histórica reivindicação espanhola de soberania sobre o Rochedo.
O ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros, José Manuel Albares, enfatizou que a posição da Espanha sobre a soberania de Gibraltar permanece inalterada. Ele declarou que o país “não muda uma vírgula” em sua reivindicação, assegurando que o acordo protege essa postura enquanto abre caminho para um futuro de maior colaboração e convivência entre as partes.
Ratificação do acordo e a posição espanhola sobre Gibraltar
A assinatura do tratado ocorreu em Bruxelas, com a presença de figuras importantes como o comissário europeu do Comércio, Maros Sefcovic, e o secretário de Estado britânico para a Europa, Stephen Doughty. Também participaram da cerimônia o ministro espanhol José Manuel Albares e o ministro-principal de Gibraltar, Fabian Picardo, que representam os interesses diretos envolvidos.
Albares destacou que o Artigo 2 do acordo é explícito ao afirmar que a Espanha mantém sua reivindicação de soberania. Para o chefe da diplomacia espanhola, o pacto alcança todos os objetivos definidos pela Espanha no início das negociações, protegendo a posição do país e, ao mesmo tempo, impulsionando a cooperação e a convivência com Gibraltar.
O fim da “Verja” e a livre circulação
Um dos pontos mais simbólicos do acordo é a previsão do derrube da “Verja”, a fronteira que separa Gibraltar do território espanhol. O ministro Albares descreveu-a como “a última fronteira da Europa continental”, e sua demolição, agendada para o dia seguinte à assinatura, simboliza o encerramento definitivo do capítulo do Brexit para a região.
O novo quadro garantirá a liberdade de circulação de pessoas e mercadorias, um avanço crucial para a economia e a vida cotidiana dos habitantes. Além disso, o acordo busca evitar “distorções do passado” em áreas sensíveis como a fiscalidade e o ambiente, prometendo uma nova conectividade para o Campo de Gibraltar e um ambiente mais estável e previsível para todos.
Uma nova era de cooperação e oportunidades
Albares apresentou o pacto como um divisor de águas, encerrando mais de três séculos de disputas e desconfiança em torno do território. Ele afirmou que o acordo “abre uma nova era” nas relações entre Gibraltar e o Campo de Gibraltar, permitindo que regiões que historicamente viviam de costas voltadas avancem juntas para um futuro de oportunidades.
O ministro ressaltou as consequências positivas para os aproximadamente 300.000 habitantes do Campo de Gibraltar, qualificando a eliminação do “último muro da Europa continental” como um “sucesso” para esta região andaluza. O tratado visa reforçar a cooperação e melhorar as oportunidades económicas e sociais em ambos os lados da fronteira.
Reações políticas e o futuro da região
Questionado sobre as críticas ao acordo por parte de representantes de partidos como o Partido Popular e o Vox, o ministro Albares defendeu que “mesmo que não o saibam, eles também ganharam”. Ele reiterou que o acordo beneficia os interesses e o futuro dos 300.000 andaluzes do Campo de Gibraltar, argumentando que a cooperação e o investimento na convivência só podem resultar em benefício para a Espanha.
O governo espanhol mantém que o tratado permitirá um reforço da cooperação e uma melhoria das oportunidades económicas e sociais, sem que isso implique qualquer alteração na posição histórica de Espanha sobre a soberania de Gibraltar. Este acordo representa, portanto, um delicado equilíbrio entre a necessidade de estabilidade e a manutenção de reivindicações históricas. Para mais informações sobre as relações entre a UE e o Reino Unido, consulte o site oficial da União Europeia.