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União Europeia acelera armazenamento em baterias para otimizar energia renovável

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Reprodução Euronews

A União Europeia deu um passo significativo em direção à sua transição energética com a assinatura do primeiro acordo tripartido sobre armazenamento de energia. Este pacto, firmado em junho, posiciona as baterias como um elemento central nos planos do bloco para aproveitar de forma mais eficiente a crescente produção de energia solar e eólica, que frequentemente é desperdiçada devido à incapacidade da rede de absorver o excedente.

O acordo, que reuniu a Comissão Europeia, ministros de energia de 22 Estados-membros, promotores de projetos de armazenamento e renováveis, indústrias eletrointensivas e instituições financeiras como o Banco Europeu de Investimento, visa transformar a infraestrutura energética do continente. A iniciativa busca resolver o problema da intermitência das fontes renováveis, garantindo que a energia gerada seja armazenada e utilizada quando realmente necessária.

Metas ambiciosas para a capacidade de armazenamento

Os signatários do acordo comprometeram-se a adicionar entre 30 e 35 GW de nova capacidade de armazenamento até 2028, com algumas projeções indicando até 45 GW. Este aumento ambicioso visa elevar a participação do armazenamento no pico da demanda de eletricidade dos atuais 5% para 10%. Atualmente, a UE conta com cerca de 55 GW de armazenamento instalado, mas as estimativas apontam para uma necessidade de 200 GW até 2030 para uma transição energética robusta.

Por trás desses números, reside um desafio crescente: o desperdício de energia. Com o aumento da produção solar e eólica, multiplicam-se as horas em que a eletricidade tem preços baixos, negativos ou é simplesmente desligada porque a rede não consegue absorvê-la. Walburga Hemetsberger, diretora-executiva da Solar Power Europe, destaca que essa situação impacta negativamente a viabilidade econômica das renováveis e impede o cumprimento das metas até 2030.

O imperativo econômico e ambiental das baterias

O armazenamento em baterias é visto como a solução fundamental para estabilizar o sistema energético. Hemetsberger enfatiza que é a única maneira de reduzir estruturalmente os preços da energia, fortalecer a resiliência da rede e diminuir a dependência de combustíveis fósseis. As projeções indicam que o armazenamento em baterias nos segmentos comercial e industrial deverá triplicar, passando de 9 GWh em 2026 para 24 GWh em 2028.

A economia por trás dessa ambição é favorável. Os custos das baterias caíram cerca de 93% entre 2010 e 2024, segundo dados da Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA). Somente em 2024, a Europa instalou 21,9 GWh de novos sistemas de baterias, marcando o 11º ano consecutivo de recordes, evidenciando a crescente adoção da tecnologia.

Baterias como infraestrutura essencial da rede

Jacopo Tosoni, secretário-geral adjunto da Energy Storage Europe, ressalta que as baterias transcenderam seu papel de tecnologia de reserva, tornando-se parte integrante da infraestrutura de rede. Ele prevê que, em 2030, a instalação de armazenamento será cerca de 30 vezes maior do que há apenas cinco anos, refletindo uma mudança paradigmática na forma como a energia é gerenciada.

Alguns países já estão adaptando suas regulamentações. A Alemanha, por exemplo, criou uma categoria jurídica de “reforços de rede”, classificando as baterias como infraestruturas que melhoram a utilização da rede. Nos países bálticos, o armazenamento funcionou como uma “rede de segurança” crucial durante a sincronização da região com a rede elétrica da Europa continental, após décadas de ligação à Rússia e à Bielorrússia.

Projeções da Aurora/Amber, citadas por Tosoni, sugerem que o armazenamento pode substituir até 60% das importações de gás até 2030, gerando uma economia de aproximadamente 9 bilhões de euros. Além disso, estimativas do Centro Comum de Investigação indicam que uma melhor implantação do armazenamento e sinais de mercado mais claros poderiam reduzir em mais de 60% os custos de congestionamento da rede associados à integração das renováveis, resultando em poupanças de 100 bilhões de euros.

Desafios persistentes no mercado e na indústria

Apesar do otimismo, o acordo reconhece que apenas reduz parcialmente as barreiras que ainda freiam a expansão das baterias. O desenho do mercado permanece como o obstáculo mais imediato. Em vários Estados-membros, as baterias ainda são penalizadas com tarifas e encargos de rede duplos, tanto no carregamento quanto na descarga, sendo tratadas simultaneamente como produtoras e consumidoras.

Os mercados atuais raramente remuneram o “conjunto” completo de serviços que as baterias oferecem, como capacidade, equilíbrio do sistema e alívio de congestionamentos. Isso leva muitos projetos a dependerem de receitas voláteis e de curto prazo. Além disso, o armazenamento é frequentemente integrado em processos de planejamento focados na produção convencional, e a classificação pouco clara da produção por baterias pode resultar em longas filas de licenciamento e conexão, sem que sejam reconhecidas como ativos de flexibilidade.

No âmbito da política industrial, a UE estabeleceu uma arquitetura de apoio com iniciativas como os IPCEI, a parceria BATT4EU e o Regulamento das Baterias. Contudo, o Tribunal de Contas Europeu concluiu que o bloco ainda está distante de uma indústria de baterias autossuficiente, enfrentando um défice comercial crescente e uma dependência significativa de células asiáticas. Walburga Hemetsberger conclui que, embora o acordo tripartido seja um “primeiro sinal importante”, ele “está longe de ser suficiente” para criar uma cadeia de valor de baterias robusta na Europa.

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