O ministro dos Negócios Estrangeiros da Lituânia, Kęstutis Budrys, emitiu um alerta contundente sobre a segurança do bloco europeu. Segundo o governante, as medidas de dissuasão adotadas até o momento por Bruxelas não foram eficazes para conter a agressividade de Moscou, o que sinaliza uma provável intensificação de ataques contra Estados-membros da União Europeia no futuro próximo.
A declaração foi proferida durante uma entrevista ao programa “12 Minutes with”, da Euronews, realizada na Irlanda em 2 de setembro de 2026. O posicionamento ocorre em um momento de tensão elevada, após a Alemanha atribuir à Rússia uma tentativa de sabotagem envolvendo um drone com explosivos no aeroporto de Leipzig/Halle, infraestrutura vital para o transporte de suprimentos militares à Ucrânia.
Falhas na dissuasão e o novo cenário de ameaças
Para Budrys, a Rússia encara as operações de sabotagem como táticas de baixo custo para desestabilizar as sociedades europeias e minar o apoio político ao governo ucraniano. O ministro enfatizou que, enquanto a resposta da União Europeia for percebida como insuficiente, o Kremlin continuará a escalar suas ações hostis.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, corroborou a gravidade da situação ao classificar tais incidentes como o “novo normal”. A liderança europeia defende que o bloco precisa estar preparado para reagir com maior agilidade e eficácia diante da imprudência demonstrada por Moscou em solo europeu.
Reforço na contraespionagem e medidas de segurança
O ministro lituano classificou os episódios recentes como ataques cinéticos, diferenciando-os de campanhas híbridas como desinformação ou ciberataques. Ele defende que a contenção dessas ameaças exige um fortalecimento imediato das capacidades de contraespionagem e dos serviços de inteligência em todo o continente.
Em resposta ao incidente em Leipzig, a Alemanha adotou medidas severas, incluindo o fechamento do consulado russo em Bona e a rescisão do contrato da Casa da Rússia em Berlim. Além disso, o governo alemão anunciou controles mais rigorosos para a entrada de cidadãos russos no país, uma postura que ganha tração entre outros Estados-membros.
Restrições de vistos e pressão econômica
A questão da circulação de cidadãos russos na Europa foi central na reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros em Wicklow. Budrys criticou a manutenção de um alto volume de vistos de turista, ressaltando que mais de 477 mil autorizações foram concedidas no ano anterior. O ministro questiona a viabilidade de manter tais facilidades enquanto o país conduz atividades de sabotagem.
Como desdobramento, a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, confirmou que os Estados-membros avançarão com restrições mais severas. Entre as medidas previstas estão a proibição de vistos para membros das forças armadas russas e a ampliação de sanções contra a “frota sombra” de petroleiros utilizada pelo Kremlin para contornar embargos econômicos. Mais informações podem ser acompanhadas pelo portal oficial da Euronews.