A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro comunicou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que não houve autorização para a utilização de sua imagem e voz na produção de um vídeo com recursos de inteligência artificial. O material foi exibido durante a convenção do Partido Liberal (PL) no último sábado, gerando questionamentos sobre a conformidade com as restrições judiciais impostas ao ex-presidente.
A manifestação da defesa atende a um pedido de explicações do ministro Moraes, relator do caso, que havia estabelecido um prazo para a resposta. A situação levanta debates sobre o uso de tecnologias avançadas no cenário político-eleitoral e as implicações legais de conteúdos gerados por inteligência artificial sem consentimento.
Questionamento Judicial e Restrições Impostas
O ministro Alexandre de Moraes solicitou esclarecimentos à defesa de Jair Bolsonaro, destacando a importância de verificar a autorização para o uso da imagem e voz do ex-presidente no vídeo em questão. A preocupação central reside nas condições de prisão domiciliar de Bolsonaro, que o proíbem de divulgar manifestações político-eleitorais, seja diretamente ou por meio de terceiros.
Em comunicado divulgado em rede social, o advogado Paulo Cunha Bueno reiterou que o ex-presidente não teve contato com seu filho Flávio devido às restrições impostas pelo STF. O advogado também mencionou que, mesmo antes das restrições atuais, seus filhos sempre utilizaram a imagem pública de Bolsonaro no âmbito da atividade político-partidária, especialmente durante o período em que ele exercia a Presidência da República.
O Vídeo e a Convenção Partidária
O vídeo que motivou o pedido de explicações foi transmitido durante a convenção do PL, evento que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro. Nele, uma simulação criada por inteligência artificial apresentava Jair Bolsonaro proferindo um discurso. O conteúdo incluía críticas ao cumprimento da prisão, relacionada a uma tentativa de golpe de Estado, e uma mensagem de apoio à candidatura de Flávio.
A aparição do ex-presidente, mesmo que por meio de uma representação digital, em um evento de cunho eleitoral, levantou a questão da legalidade e da conformidade com as determinações judiciais que limitam suas manifestações públicas.
Implicações da Inteligência Artificial nas Eleições
O ministro Alexandre de Moraes ressaltou que, caso não tenha havido autorização para o uso da imagem e voz do ex-presidente, a utilização da inteligência artificial pode ter reflexos na esfera eleitoral. Tal situação poderia ser caracterizada como a divulgação de deepfake, que consiste na criação de conteúdo artificial para associar voz ou imagem a um candidato sem o devido consentimento.
A divulgação desse tipo de conteúdo é expressamente proibida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que busca garantir a integridade e a veracidade das informações durante o período eleitoral. A regulamentação visa coibir a disseminação de material enganoso que possa influenciar indevidamente o processo democrático. A Agência Brasil, por exemplo, tem acompanhado de perto os desdobramentos desses casos.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br