Lideranças comunitárias, pesquisadores e representantes da sociedade civil reúnem-se neste sábado (15), em Marabá, para debater os reflexos de projetos de infraestrutura sobre o Rio Tocantins. O seminário público, intitulado “Da colonização ao Arco Norte: logística da destruição e resistência na Amazônia”, ocorre no auditório do campus I da Unifesspa, na Folha 31, Nova Marabá, das 8h30 às 17h30.
O encontro busca conectar o histórico de ocupação da Amazônia com o atual avanço de corredores de exportação. A pauta central é o planejamento logístico voltado ao escoamento de commodities agrícolas e minerais, que, segundo os organizadores, frequentemente ignora os direitos e as necessidades das populações tradicionais que dependem diretamente dos rios para sua subsistência.
Expansão logística e o futuro do Rio Tocantins
A região dos rios Tocantins e Araguaia vive uma fase de intensa transformação, impulsionada pelo agronegócio e pela demanda por novas rotas de transporte. Um dos pontos mais críticos do debate é a implantação de uma hidrovia de 1.731 quilômetros, projetada para conectar Peixe (TO) a Belém (PA).
O projeto prevê intervenções de grande escala, como o derrocamento do Pedral do Lourenção, uma formação rochosa de 35 quilômetros entre Marabá e Itupiranga. Além das explosões, o plano inclui dragagens constantes e a construção de portos para viabilizar a navegação de grandes comboios de carga durante todo o ano, gerando preocupações sobre a preservação da fauna aquática e a dinâmica hídrica.
Resistência e o direito à consulta prévia
Durante o evento, Claudelice dos Santos, do Instituto Zé Claudio e Maria, destacou a necessidade de questionar a narrativa de progresso que sustenta as obras na região. Segundo a liderança, o planejamento atual opera como uma via de mão única, sem a participação deliberativa das comunidades afetadas.
A exigência central do grupo é o cumprimento integral da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A norma garante o direito à consulta prévia, livre e informada, o que, na visão dos participantes, deveria conferir aos povos tradicionais poder de decisão sobre o futuro de seus territórios e fontes de água.
Programação e mesas de debate
O seminário está estruturado em cinco mesas temáticas que percorrem desde a análise histórica da colonização até a proposição de alternativas sustentáveis. Entre os convidados estão nomes como Alessandra Munduruku, Brent Millikan e representantes de movimentos sociais locais.
- Da colonização ao Arco Norte: análise histórica e logística.
- A infraestrutura da destruição: impactos socioambientais diretos.
- A infraestrutura que queremos: alternativas construídas nos territórios.
- Rios Vivos: a relação das populações com o ecossistema.
- Pedral do Lourenção somos nós: perspectivas das comunidades locais.
Fonte: correiodecarajas.com.br