O Ministério Público de São Paulo formalizou a denúncia contra 16 indivíduos suspeitos de integrar um esquema estruturado de adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro. A ação é um desdobramento direto das investigações conduzidas durante a Operação Carbono Oculto, deflagrada no ano anterior para desarticular redes criminosas que operavam no setor de energia e logística.
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) detalhou que os denunciados atuavam de forma coordenada, utilizando documentos falsos e fraudes contra o consumo para viabilizar suas atividades ilícitas. Além da adulteração, o grupo é acusado de crimes fiscais e de manter conexões estratégicas com outras organizações criminosas independentes que buscam o controle de mercados paralelos.
Estrutura da organização criminosa e desvio de metanol
Segundo a Promotoria de Justiça, os acusados não apenas participavam, mas também promoviam e financiavam pessoalmente a estrutura criminosa. O foco principal da operação era o desvio de metanol, substância utilizada para adulterar combustíveis e aumentar a margem de lucro ilegal sobre o produto final vendido aos consumidores.
A investigação revelou que a organização operava com alto grau de sofisticação, integrando diversas etapas da cadeia de produção e distribuição. A prática visava não apenas o ganho financeiro imediato, mas a consolidação de um sistema de lavagem de dinheiro que dificultasse a fiscalização pelos órgãos de controle.
Operação Carbono Oculto e o alcance nacional
A Operação Carbono Oculto, iniciada em 18 de agosto do ano passado, mobilizou uma força-tarefa composta por mais de 1.400 agentes. A operação teve abrangência interestadual, cumprindo mandados de busca e apreensão em São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
Os investigadores identificaram que integrantes da facção criminosa PCC possuíam participação ativa no esquema fraudulento. Ao todo, mais de 350 alvos, incluindo pessoas físicas e jurídicas, foram mapeados sob suspeita de crimes contra a ordem econômica, danos ambientais, estelionato e fraude fiscal.
Uso de fintechs para ocultar movimentações financeiras
Para mascarar a origem dos recursos, a organização utilizava fintechs controladas pelo próprio crime organizado. A escolha dessas instituições de pagamento tinha como objetivo principal contornar os mecanismos tradicionais de rastreamento bancário e evitar a identificação dos beneficiários finais das transações.
O fluxo de capitais entre empresas e pessoas físicas era sustentado por uma contabilidade paralela, que impedia a transparência das operações. Essa estratégia permitia que o dinheiro obtido com a venda de combustíveis adulterados fosse reintegrado ao sistema financeiro sem levantar suspeitas imediatas das autoridades competentes.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br