O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, determinou nesta terça-feira (1º) que o plenário da Corte analise os novos elementos colhidos pela Polícia Federal (PF) no inquérito que apura as interações de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, com diversas autoridades públicas. A decisão ocorre no âmbito da operação Compliance Zero, que investiga movimentações do empresário.
Tramitação e sigilo no Supremo Tribunal Federal
Além de levar o caso ao colegiado, o magistrado estabeleceu um prazo de cinco dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresente sua manifestação sobre o relatório policial. André Mendonça também decidiu pela quebra de sigilo dos dados extraídos do aparelho celular de Daniel Vorcaro, permitindo maior transparência sobre as informações contidas no dispositivo.
Interações e menções a autoridades
O relatório da Polícia Federal destaca o ex-deputado federal Fábio Faria como um possível interlocutor entre o banqueiro e figuras do alto escalão. Documentos indicam que Daniel Vorcaro teria mantido comunicações com um contato identificado como o ministro Alexandre de Moraes. Parte do conteúdo não foi recuperada devido à configuração de visualização única, restando acessíveis apenas registros sobre investidores e o BRB.
O documento também menciona supostas reuniões entre o empresário e o ministro Alexandre de Moraes. Adicionalmente, a perícia da Polícia Federal identificou uma possível edição em um contrato de prestação de serviços entre o banco e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, realizada em 2024 por um usuário identificado com o nome do magistrado.
Citações envolvendo a Procuradoria e a Polícia Federal
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, aparece no inquérito por meio de menções de terceiros. Conversas entre Daniel Vorcaro e um interlocutor chamado Ciro Soares sugerem uma proximidade, incluindo um convite para uma viagem a Londres, na Inglaterra. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, também foi citado indiretamente em diálogos entre o empresário e Fábio Faria, que teria consultado sobre a possibilidade de convidá-lo para um evento internacional.
É importante ressaltar que a Polícia Federal não imputou crimes às autoridades mencionadas, limitando-se a relatar a existência das comunicações e encontros. Em nota oficial, o escritório Barci de Moraes esclareceu que realizou uma consulta interna sobre conflitos de interesses em relação ao Banco Master, concluindo pela inexistência de impedimentos legais para sua atuação. Mais detalhes sobre o andamento das investigações podem ser consultados no portal da Suprema Corte.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br