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Sobreviventes são resgatados após dez dias presos em túnel no Nepal

Sobreviventes são resgatados após dez dias presos em túnel no Nepal
Foto: Nepal Army via AP

Em uma operação de resgate marcada pela persistência, uma mulher e um cidadão chinês foram retirados com vida de um túnel da usina hidrelétrica Trishuli 3A, no Nepal. O salvamento ocorreu dez dias após uma avalanche devastadora atingir a região, deixando um rastro de destruição e milhares de desaparecidos em áreas próximas à fronteira com o Tibete.

Operação de resgate em meio aos escombros

O primeiro sobrevivente foi localizado pelo Exército nepalês, que conduziu os trabalhos de busca no local. Imagens divulgadas pela instituição mostram o momento em que um dos trabalhadores, coberto de lama, é carregado por um socorrista. Logo após o primeiro êxito, um parlamentar local confirmou que uma segunda pessoa também foi encontrada com vida na mesma estrutura.

Após receberem os primeiros atendimentos médicos ainda no local do incidente, ambos foram transferidos para um hospital em Katmandu. O resgate trouxe um fio de esperança aos familiares, como relatou Amir Maharjan, irmão de um dos sobreviventes, à agência de notícias Associated Press, expressando gratidão pelo desfecho positivo.

Expectativa por novos sobreviventes no túnel

As autoridades nepalesas mantêm as buscas intensas, impulsionadas pela possibilidade de encontrar mais pessoas. Socorristas relataram ter ouvido vozes vindas de dentro do túnel, o que sustenta a esperança de novas localizações nas próximas horas. O ministro da Energia do Nepal, Biraj Bhakta Shrestha, reforçou o otimismo quanto à continuidade dos trabalhos de salvamento.

A situação no complexo hidrelétrico é crítica. Segundo a Associação Independente de Produtores de Energia do Nepal, estima-se que cerca de 115 trabalhadores estivessem no túnel principal no momento do desastre. No total, o número de desaparecidos em 12 usinas hidrelétricas da região pode chegar a 900 pessoas.

Impacto da catástrofe no Himalaia

O desastre teve origem em 26 de agosto, quando o colapso de uma geleira de grande magnitude no topo do Himalaia desencadeou uma avalanche histórica. O evento atingiu cidades e vales, resultando em um cenário de destruição generalizada. Dados oficiais indicam que mais de 1.300 pessoas morreram e milhares continuam desaparecidas entre o Nepal e o Tibete.

O balanço mais recente aponta 1.287 mortes confirmadas no Nepal, com 5.083 pessoas ainda desaparecidas. No Tibete, autoridades chinesas registraram 31 mortes e 531 desaparecidos, embora existam suspeitas de subnotificação devido à censura local. A tragédia também gerou danos bilionários, com prejuízos estimados em US$ 2,56 bilhões em infraestrutura e moradias.

Desafios para a reconstrução nacional

O governo nepalês já projeta os custos para a recuperação das áreas afetadas. Nos primeiros quatro meses, a estimativa é de um investimento de US$ 52,6 milhões para a instalação de abrigos temporários, reconstrução de estradas e restabelecimento de serviços essenciais como água e energia. Caso os valores sejam confirmados, este será um dos desastres naturais mais caros da história recente do país.

Fonte: correiodecarajas.com.br

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