PUBLICIDADE

Anúncio não encontrado.

Inteligência artificial nas eleições – TSE estabelece novas regras para coibir deepfakes em campanhas

Inteligência artificial nas eleições – TSE estabelece novas regras para coibir deepfakes em campanhas
Ícone de edição de foto

O cenário eleitoral contemporâneo enfrenta um desafio inédito com a ascensão da inteligência artificial (IA), uma ferramenta que, embora promissora para o marketing político, carrega riscos significativos de desinformação. A capacidade da IA de criar imagens, vozes e cenários com alto grau de realismo levanta preocupações sobre a manipulação da percepção pública e a dificuldade dos eleitores em distinguir o que é real do que é gerado por algoritmos.

Diante desse panorama, a Justiça Eleitoral e as próprias campanhas têm se mobilizado para adaptar as regulamentações à velocidade do avanço tecnológico. A necessidade de diretrizes claras tornou-se evidente, culminando em decisões importantes para o futuro das disputas eleitorais.

A Resposta da Justiça Eleitoral à IA nas Campanhas

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se debruçou recentemente sobre o uso de conteúdos digitais em campanhas, especialmente após um caso envolvendo um avatar de um ex-presidente. Na terça-feira, 1º, o tribunal analisou a exibição de um personagem virtual que, embora anunciado como representação, gerou debate sobre a antecipação de campanha e a veracidade da mensagem transmitida.

Por maioria de 5 votos a 2, o TSE decidiu que o caso específico não configurava campanha eleitoral antecipada e não acatou o pedido de remoção do vídeo. Contudo, a ocasião serviu para estabelecer uma jurisprudência inédita, proibindo o uso de deepfakes e avatares que criem, reproduzam ou alterem a imagem, voz ou manifestação de pessoas vivas, falecidas ou fictícias, desde que apresentem grau de realismo ou verossimilhança.

Desafios e Percepções Públicas sobre a Tecnologia

Apesar das novas regras, a aplicação prática das diretrizes ainda enfrenta desafios. Campanhas que utilizaram IA, como a de um senador, defenderam o uso da tecnologia para fins considerados “do bem”, comparando-a a um cabo eleitoral digital. No entanto, a determinação da Justiça Eleitoral levou à substituição de imagens geradas por IA por materiais autênticos ou desenhos animados, que não induzem ao erro.

A criatividade impulsionada pela IA nem sempre é bem recebida pelo público. Um exemplo foi um post que imitava a estética de um famoso videogame, que permaneceu no ar por menos de 24 horas devido a críticas severas. Pesquisas de opinião pública, como a da Confederação Nacional do Transporte em parceria com o Instituto MDA Pesquisa, indicam que a maioria dos brasileiros desaprova o uso da tecnologia para fins eleitorais, sugerindo um efeito reverso ao pretendido pelos marqueteiros.

Estratégias de Campanha e a Economia da Inteligência Artificial

Enquanto algumas campanhas buscam adaptar-se às novas regras, outras exploram a imagem histórica de seus candidatos, como a estratégia de um partido que prioriza a autenticidade e a ausência de filtros, remetendo a campanhas vitoriosas de 2002. Essa abordagem visa defender um discurso de “pureza” contra o mau uso da computação, buscando ser uma “vacina” contra a desinformação.

Apesar das preocupações éticas, a IA representa uma significativa economia na produção de material publicitário. Com assinaturas de geradores de áudio e vídeo, é possível criar comerciais complexos apenas com comandos de texto. A campanha de um governador, por exemplo, utilizou intensamente a IA para criar esquetes, como a série “Os Intocáveis”, que gerou mais de 1 milhão de novos seguidores. Para alguns publicitários, a IA pode aumentar o interesse pela política, tornando-a mais contemporânea e acessível, desde que não manipule a escolha do eleitor com construções enganosas. É crucial, portanto, que a atenção seja redobrada.

Candidatos a governos e legislativos também têm recorrido à IA para criar imagens sintéticas ao lado de figuras políticas proeminentes. Um governador, por exemplo, publicou um vídeo em que um ex-presidente aparece com cinco dedos na mão esquerda, ignorando uma característica física real. Este incidente ressalta as limitações da IA na representação precisa de detalhes humanos e a necessidade de vigilância sobre a autenticidade do conteúdo gerado.

Para mais informações sobre as decisões do TSE, clique aqui.

Fonte: veja.abril.com.br

Leia mais

Últimas

PUBLICIDADE

Anúncio não encontrado.