A população e representantes comunitários da região da BR-230, no trecho conhecido como Porto da Balsa, planejam um bloqueio das travessias fluviais entre o Tocantins e o Pará. A mobilização surge como um ultimato para que as balsas contratadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) comecem a operar gratuitamente, uma promessa que, segundo os moradores, não foi cumprida desde a chegada das embarcações há meses.
A insatisfação cresce diante da necessidade de continuar pagando pelo transporte de veículos e passageiros, enquanto as balsas destinadas ao serviço público gratuito permanecem inoperantes. A ação visa impedir o funcionamento do serviço pago atualmente em operação até que uma solução definitiva seja apresentada para o impasse.
Interdição da ponte e o retorno do transporte pago
A crise na travessia do Rio Araguaia teve início com a interdição da Ponte Transaraguaia, que conectava as margens. Problemas de segurança estrutural levaram ao fechamento completo da ponte, forçando o retorno à dependência de embarcações, uma realidade anterior à inauguração da estrutura em 2010. Essa medida, embora necessária, interrompeu uma das principais ligações entre o norte do Tocantins e o sudeste do Pará.
Em resposta à interdição, o transporte emergencial por balsas foi retomado. Uma empresa privada passou a operar o serviço mediante cobrança de tarifa. Os valores aplicados geraram um custo adicional significativo para famílias, caminhoneiros, empresas de transporte e comerciantes, impactando diretamente a economia local e o orçamento de quem precisa se deslocar entre os estados.
Balsas gratuitas: promessa e frustração
Em um esforço para aliviar os custos da população, o DNIT anunciou a contratação emergencial de uma empresa para operar a travessia de balsas gratuitas. O contrato, com um valor expressivo e vigência estendida, previa o transporte de veículos e passageiros 24 horas por dia. As embarcações chegaram ao local, mas em estado desmontado, exigindo montagem, vistorias técnicas e liberações da Marinha do Brasil.
Apesar da chegada e da contratação oficial, o serviço gratuito não foi efetivado. As balsas permaneceram sem operação regular, enquanto a população continuava a depender e a pagar pelo transporte privado. Essa discrepância entre o anúncio e a realidade gerou grande revolta na comunidade, que se sente lesada pela demora e pela falta de cumprimento do compromisso.
Reivindicação da comunidade e o posicionamento do DNIT
A comunidade local, apoiada por vereadores, tem sido vocal em suas exigências. A principal reivindicação é clara: a imediata operação das balsas gratuitas, independentemente de qual empresa seja responsável. Um dos representantes afirmou que a população não aceita mais esperar, especialmente porque as embarcações já teriam sido liberadas pela Marinha do Brasil.
Em resposta às consultas, o DNIT informou que as balsas gratuitas estão prontas para iniciar a operação, com equipe de plantão no local. No entanto, existe um impasse relacionado ao acesso e à atracação na margem do Tocantins, que envolve a empresa que atualmente realiza o transporte pago. A situação foi encaminhada para a diretoria em Brasília para análise e providências, mas até o momento, não há uma data definida para o início do serviço gratuito.
Potenciais impactos do bloqueio
Caso o bloqueio seja concretizado, as consequências podem ser significativas. A interrupção do transporte fluvial na BR-230 afetaria diretamente moradores, trabalhadores, comerciantes e transportadores que dependem dessa conexão vital entre os dois estados. A mobilização representa um ponto crítico na busca por uma solução para a travessia do Rio Araguaia, onde a expectativa por um serviço gratuito se choca com a persistência do transporte pago e os desafios burocráticos.
Fonte: correiodecarajas.com.br