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Operação Hades mira político em investigação de fraude e lavagem de dinheiro

Operação Hades mira político em investigação de fraude e lavagem de dinheiro
Reprodução / portalofato.com.br

Em agosto de 2025, o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) deflagrou a Operação Hades, colocando sob investigação o então prefeito de Ananindeua e atual candidato ao Governo do Pará, Daniel Santos. As apurações iniciais revelaram um conjunto milionário de bens e levantaram suspeitas sobre a evolução patrimonial do político, além de uma possível utilização de empresas contratadas pelo poder público para o pagamento de patrimônio particular.

Atualmente candidato ao Palácio dos Despachos, Daniel Santos declarou à Justiça Eleitoral em 2026 um patrimônio de R$ 4.753.760,80. Esta declaração inclui dez bens, entre propriedades rurais, imóveis, veículos, dinheiro em espécie e participação em uma empresa agropecuária. Este valor, no entanto, contrasta com a dimensão das medidas patrimoniais adotadas no âmbito da Operação Hades.

Conforme informações divulgadas sobre a investigação, aproximadamente R$ 500 milhões em bens de 16 pessoas físicas e jurídicas foram alcançados por determinações judiciais. Desse total, cerca de R$ 131,85 milhões foram atribuídos a Daniel Santos para fins de bloqueio. É importante ressaltar que o bloqueio é uma medida cautelar e não representa, por si só, o reconhecimento definitivo de que os valores sejam patrimônio ilícito do candidato.

Apreensão de bens de luxo: coleção de relógios sob escrutínio

Durante a coletiva de imprensa em agosto de 2025, o MPPA detalhou a localização de bens de alto valor encontrados nas diligências da Operação Hades. Um dos pontos que mais chamaram a atenção foi a apreensão de uma coleção de relógios de luxo.

Os itens foram encontrados em um apartamento alugado por Daniel Santos em Fortaleza, no Ceará, e incluíam marcas renomadas como Rolex, Richard Mille, Cartier e Audemars Piguet. Na ocasião, o Ministério Público estimou que a coleção poderia valer entre R$ 2,5 milhões e R$ 3 milhões, com algumas unidades avaliadas individualmente em centenas de milhares de reais. O valor estimado desses relógios já correspondia a uma parcela significativa do patrimônio total que Daniel Santos declarou à Justiça Eleitoral naquele ano.

Patrimônio rural e maquinário pesado em foco

As investigações da Operação Hades também se estenderam a uma propriedade rural localizada em Tomé-Açu, negociada por aproximadamente R$ 16 milhões e relacionada à Agropecuária JD. O MPPA apura a possível participação de empresas com contratos públicos nos pagamentos relacionados à aquisição desta propriedade.

Na estrutura ligada à fazenda, as investigações identificaram máquinas de alto valor. Entre os bens mencionados, estão tratores avaliados em cerca de R$ 3 milhões e uma retroescavadeira estimada em aproximadamente R$ 700 mil. As apurações também apontaram para cerca de R$ 1,3 milhão em combustíveis relacionados à estrutura investigada.

Aeronave e mansão de alto padrão na mira da Justiça

Uma aeronave Cessna Citation Jet, com valor aproximado de R$ 10,9 milhões, também entrou no radar do Ministério Público. De acordo com os elementos divulgados sobre a Operação Hades, o MPPA passou a investigar pagamentos realizados por empresas ligadas a contratos públicos e vinculados à aquisição do avião. Uma das transferências sob investigação seria de aproximadamente R$ 2,2 milhões.

Embora a aeronave tenha sido alcançada pelas medidas patrimoniais determinadas pela Justiça, ela não foi fisicamente apreendida durante a primeira fase da operação, pois não estava em solo paraense no momento das diligências. Outro imóvel de alto padrão, uma mansão em Fortim, no litoral do Ceará, avaliada em cerca de R$ 4 milhões (considerando o imóvel mobiliado), também foi alvo das apurações. O Ministério Público investiga a origem dos recursos utilizados na compra e pagamentos que teriam sido feitos por pessoas e empresas relacionadas a contratos com a Prefeitura de Ananindeua. Daniel Santos já declarou publicamente que a aquisição do imóvel foi legal e se tratava de uma compra compartilhada entre amigos.

Evolução patrimonial e o cerne das investigações

A evolução patrimonial de Daniel Santos tornou-se um dos pontos centrais da investigação. O MPPA apura se empresas interessadas em contratos com a Prefeitura de Ananindeua teriam sido beneficiadas em procedimentos licitatórios e, em contrapartida, participado do pagamento de despesas ou da aquisição de patrimônio relacionado ao grupo investigado. As investigações envolvem suspeitas de fraude em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro.

Documentos, movimentações financeiras, mensagens, registros patrimoniais e materiais apreendidos passaram a integrar a apuração. Em 2024, quando disputou a reeleição para a Prefeitura de Ananindeua, Daniel havia declarado R$ 4.849.539,60 em patrimônio. Neste ano, ao registrar candidatura ao Governo do Pará, informou R$ 4.753.760,80. A declaração de 2026 inclui três propriedades rurais, avaliadas em R$ 1,8 milhão, R$ 1 milhão e R$ 350 mil; uma casa de R$ 692.049,84; dois terrenos de R$ 170 mil e R$ 138.710,96; dois veículos, de R$ 240 mil e R$ 151 mil; R$ 112 mil em dinheiro; e R$ 100 mil em participação em uma empresa agropecuária.

Daniel Santos nega irregularidades relacionadas à Operação Hades e já afirmou que seus bens foram adquiridos de forma legal. As investigações permanecem em andamento. Para mais detalhes sobre o caso, acesse a matéria original.

Fonte: portalofato.com.br

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