O Ministério da Justiça e Segurança Pública autorizou o envio e a atuação da Força Nacional de Segurança Pública na região da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, localizada no estado do Pará. O destacamento terá duração de 90 dias e visa dar suporte operacional direto às forças policiais federais e estaduais na região amazônica.
A determinação foi oficializada por meio da Portaria nº 1.321/2026, publicada em edição do Diário Oficial da União. De acordo com o documento do governo federal, o contingente atuará em ações de caráter temporário e planejado, com foco na preservação da ordem pública e na proteção das pessoas e do patrimônio local.
Coordenação operacional e suporte logístico em Belo Monte
As atividades de campo da Força Nacional serão integradas aos órgãos de segurança pública do Pará e ocorrerão sob a coordenação direta da Polícia Federal. A cooperação mútua pretende assegurar a integridade das instalações estratégicas e a tranquilidade nas comunidades do entorno.
O efetivo exato de militares e policiais que seguirão para a missão será estabelecido pela Diretoria da Força Nacional de Segurança Pública, órgão vinculado à Secretaria Nacional de Segurança Pública. A responsabilidade pelo suporte logístico e pelo fornecimento de infraestrutura adequada recai sobre a instituição que formalizou o pedido da intervenção.
Complexo hidrelétrico completa uma década de funcionamento
A presença das tropas coincide com o marco de dez anos da inauguração oficial da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Idealizado em meados da década de 1970, o complexo energético situado no Rio Xingu sempre esteve no centro de discussões internacionais, especialmente pelo desvio de 80% do fluxo do rio em uma extensão de 130 quilômetros para abastecer seu reservatório principal.
Operada pela concessionária Norte Energia, a usina é responsável por suprir em média 5% de toda a demanda de energia elétrica do Brasil anualmente. Segundo a concessionária, mais de R$ 8 bilhões já foram aplicados no cumprimento de obrigações socioambientais previstas no licenciamento da hidrelétrica.
Mobilização de entidades e impactos em comunidades locais
Por ocasião da passagem da primeira década da usina, organizações da sociedade civil manifestaram preocupação com os efeitos da barragem sobre as populações tradicionais da bacia hidrográfica. Entidades como a Associação Interamericana para a Defesa do Ambiente (Aida), o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) divulgaram uma carta aberta.
O manifesto conjunto alerta para desafios enfrentados por grupos ribeirinhos, pescadores artesanais e povos indígenas do médio curso do Rio Xingu, ressaltando o agravamento de pressões ambientais e climáticas ao longo do período de operação do empreendimento hidrelétrico.
Fonte: correiodecarajas.com.br