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Patrimônio cultural do Pará passa a incluir o tradicional Carnaval das Águas de Cametá

Patrimônio cultural do Pará passa a incluir o tradicional Carnaval das Águas de Cametá
Ascom

A governadora Hana Ghassan sancionou, no dia 29 de outubro, a lei que reconhece o Carnaval das Águas como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Pará. Realizada no município de Cametá, a festividade possui mais de 150 anos de história e representa uma das celebrações mais expressivas do calendário cultural das populações locais.

A medida governamental busca salvaguardar a memória, a identidade e os costumes das comunidades ribeirinhas do Baixo Tocantins. Com o novo status legal, a manifestação ganha respaldo oficial para assegurar a continuidade das suas práticas artísticas e comunitárias ao longo das próximas gerações.

Patrimônio cultural e a preservação das tradições ribeirinhas no Rio Tocantins

O festejo centenário mobiliza cordões de mascarados, blocos carnavalescos e diversos grupos folclóricos que navegam pelas águas do Rio Tocantins em embarcações ornamentadas. O trajeto fluvial transforma o curso d’água em um grande espaço de dança, música e integração social entre os moradores da região.

A sanção oficial reforça a importância das expressões populares para a história da Amazônia. Segundo a publicitária Nissandra Peres, moradora de Cametá, o reconhecimento vai além de uma homenagem formal, atuando diretamente no sentimento de pertencimento da população local. Em declaração, ela destacou que manter essas manifestações vivas é essencial para que as futuras gerações conheçam e perpetuem a cultura do Baixo Tocantins.

A formalização e a cobertura institucional da medida foram divulgadas pela Agência Pará, ressaltando o alcance da nova legislação para a valorização da identidade estadual.

Desfiles fluviais e a dinâmica única das celebrações em Cametá

Ao contrário dos festejos carnavalescos convencionais organizados em circuitos terrestres, o Carnaval das Águas destaca-se pela mobilidade sobre o leito dos rios e igarapés. A celebração não depende de um ponto fixo de concentração ou de palcos estruturados em solo.

Durante o percurso, os barcos decorados fazem paradas estratégicas nos trapiches localizados ao longo das margens. Nesses pontos, os integrantes dos grupos desembarcam temporariamente para realizar suas apresentações artísticas junto às comunidades ribeirinhas, refletindo o vínculo histórico dos moradores com o ecossistema aquático.

Envolvimento comunitário e estímulo ao desenvolvimento sustentável

A organização do evento fundamenta-se na confecção autoral de adereços, fantasias e composições musicais pelos próprios participantes. Esse trabalho coletivo estimula a criatividade popular e garante a transmissão oral de saberes ancestrais entre diferentes gerações de famílias cametaenses.

Além de proteger a memória imaterial, a lei tem como diretriz incentivar o turismo sustentável e impulsionar a economia criativa no município. O Secretário de Estado de Cultura, Bruno Chagas, apontou que a lei valoriza os mestres e brincantes que sustentam o festival há mais de um século, abrindo espaço para que o público externo conheça a riqueza das tradições paraenses.

Fonte: carajasojornal.com.br

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