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Lula defende reciprocidade com EUA e elogia ação da PF em caso diplomático

manipular imigração. "Eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles. Esperand
Reprodução Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou nesta quarta-feira (22) seu apoio e elogio à decisão do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, de retirar as credenciais diplomáticas de um agente de imigração dos Estados Unidos que atuava na sede da PF em Brasília. A medida, segundo o presidente, alinha-se ao princípio da reciprocidade nas relações internacionais, uma resposta direta a uma ação similar tomada pelo governo norte-americano contra um delegado brasileiro.

A postura do Brasil reflete uma firmeza diplomática em face de um incidente que gerou tensão entre as duas nações. Lula, em vídeo divulgado nas redes sociais ao lado de Andrei Rodrigues e do ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, foi enfático ao declarar: “Eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles. Esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltarem à normalidade.”

Ação Recíproca e a Reação Diplomática

A iniciativa brasileira de retirar as credenciais do agente americano foi uma resposta direta à determinação do governo dos Estados Unidos para a saída do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, também da Polícia Federal, de seu território. O Ministério das Relações Exteriores (MRE) do Brasil, em nota publicada na rede X (antigo Twitter) ontem (21), informou que a representante da embaixada norte-americana foi comunicada sobre a aplicação do princípio da reciprocidade.

O MRE criticou a decisão dos EUA, classificando-a como “sumária” e sem “qualquer pedido de esclarecimento ou tentativa de diálogo sobre o caso”, o que, segundo o ministério, contraria um acordo bilateral de cooperação na área policial. A nota ressaltou que tal medida “tão pouco observa boa prática diplomática de diálogo entre nações amigas, como o Brasil e os Estados Unidos, ao longo de mais de 200 anos de relação”. O agente brasileiro, conforme o MRE, atuava com base em um memorando de entendimento firmado entre os dois governos para facilitar o intercâmbio de oficiais de ligação na área de segurança, justificando a adoção do mesmo tratamento ao agente norte-americano.

O Caso Alexandre Ramagem: O Estopim da Crise

O pano de fundo para essa tensão diplomática é a situação envolvendo o delegado Marcelo Ivo de Carvalho e o ex-deputado Alexandre Ramagem. Embora a postagem do Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos na última segunda-feira (20) não citasse nomes, indicava que a solicitação de saída de um “funcionário brasileiro” do território americano se referia ao delegado Marcelo de Carvalho, que esteve envolvido na prisão de Ramagem.

Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão em uma ação penal relacionada à trama golpista. Após a condenação no ano passado, ele perdeu o mandato e, para evitar o cumprimento da pena, fugiu do país, estabelecendo residência nos Estados Unidos. Em dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes determinou o envio de um pedido formal de extradição de Ramagem aos Estados Unidos, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Em abril, a Polícia Federal informou que a prisão de Ramagem pelo serviço de imigração norte-americano, ocorrida na cidade de Orlando, foi resultado de uma cooperação policial internacional entre Brasil e Estados Unidos. O ex-deputado foi detido como foragido da Justiça brasileira, condenado por crimes como organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado democrático de direito. Ramagem foi solto na última quarta-feira (15) após dois dias de prisão na Flórida.

Reforço na Polícia Federal e Combate ao Crime Organizado

Aproveitando o momento, o presidente Lula também anunciou, durante o mesmo vídeo nas redes sociais, a contratação de mil novos agentes para a Polícia Federal. Essa medida visa reforçar a atuação da corporação em pontos estratégicos como portos, aeroportos e regiões de fronteira. Segundo o presidente, a iniciativa faz parte do compromisso do governo em intensificar o combate ao crime organizado em todo o território nacional, demonstrando um foco contínuo na segurança pública e na soberania do país.

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