Impacto da tarifa zero nas exportações brasileiras
A partir da próxima sexta-feira (1º), a relação comercial entre o Brasil e a União Europeia entra em uma nova fase com a implementação do acordo entre o Mercosul e o bloco europeu. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais de 5 mil produtos brasileiros serão beneficiados pela isenção de tarifas de importação, consolidando um avanço significativo para a competitividade nacional no cenário internacional.
O volume de produtos contemplados representa mais de 80% das importações de bens brasileiros realizadas pela União Europeia em 2025. Dentre esses itens, 2.932 passarão a ter alíquota zero imediatamente, sendo que 93% desse total corresponde a bens industriais. A medida visa facilitar o acesso a um dos mercados mais estratégicos do mundo, oferecendo maior previsibilidade regulatória para as empresas brasileiras.
Setores beneficiados pela abertura comercial
A redução tarifária imediata abrange diversos segmentos da economia nacional. Entre os setores com maior destaque estão máquinas e equipamentos, que representam 21,8% do total, seguidos por alimentos (12,5%), produtos de metal (9,1%), materiais elétricos (8,9%) e químicos (8,1%).
No segmento de máquinas e equipamentos, que movimentou US$ 607,7 milhões em exportações para a Europa em 2025, a desoneração atinge 95,8% do valor total. Itens como compressores, bombas para combustíveis e líquidos de arrefecimento estão entre os 802 produtos do setor que deixam de pagar taxas. Já na metalurgia, 494 produtos, incluindo ferro-gusa e óxido de alumínio, também passam a entrar no mercado europeu sem custo adicional.
Suporte estratégico ao setor privado
Para auxiliar as empresas na adaptação ao novo ambiente de negócios, a CNI disponibilizou manuais e cartilhas detalhando compromissos comerciais e regras de origem. Além disso, a entidade formará um comitê conjunto com a BusinessEurope e confederações industriais de países do Mercosul, como Uruguai, Argentina e Paraguai, para monitorar a implementação das medidas.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou que o acordo é uma oportunidade para fortalecer a presença do Brasil no exterior. Com a integração, a participação do Brasil em mercados com acordos comerciais pode saltar de 8,9% para 37,6% das importações mundiais. Mais informações sobre o cenário econômico podem ser consultadas no portal Governo Federal.
Cronograma de implementação e próximos passos
A promulgação do acordo foi oficializada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na última terça-feira (28). A implementação ocorrerá de forma progressiva, com prazos de redução escalonada que variam conforme a sensibilidade dos produtos. Enquanto a União Europeia terá prazos de até 10 anos, o Brasil contará com até 15 anos para a adequação total.
Setores que envolvem novas tecnologias, como veículos elétricos e híbridos, possuem um cronograma estendido de até 30 anos. O governo federal ainda deve publicar uma portaria para regulamentar a distribuição das cotas de importação entre os países do bloco sul-americano, definindo os critérios e volumes permitidos para cada nação.
Fonte: canalrural.com.br