PUBLICIDADE

Setor agro registra 539 pedidos de recuperação judicial com alta de 9,3% no primeiro trimestre de 2026

Imagem gerada por IA para o Canal Rural
Imagem gerada por IA para o Canal Rural

Recuperações judiciais no agro avançam e atingem 539 empresas no primeiro trimestre

O cenário econômico para o campo brasileiro apresentou desafios significativos no início de 2026. Dados recentes apontam que o número de empresas do agronegócio em recuperação judicial registrou um crescimento de 9,3% no primeiro trimestre, totalizando 539 companhias em situação de crise financeira. O movimento acompanha uma tendência nacional de alta, onde o Brasil atingiu a marca recorde de 5.931 empresas em processo de recuperação, um avanço de 4,4% frente ao período anterior, conforme o relatório Monitor RGF, da consultoria RGF & Associados.

O agronegócio destaca-se atualmente como o setor da economia brasileira com a maior concentração de pedidos de recuperação judicial. O índice de recuperação judicial do setor, conhecido como IRJ, alcançou a marca de 14,42, um patamar expressivamente superior à média nacional, que se situa em 2,18. Esse indicador reflete a fragilidade enfrentada por produtores e empresas que compõem a cadeia produtiva diante das atuais condições de mercado.

Concentração produtiva e vulnerabilidade setorial

Dentro do universo do agronegócio, a maior parte das solicitações de recuperação judicial está concentrada na produção agrícola. O cultivo de soja lidera o ranking com 243 empresas em crise, seguido pela criação de bovinos para corte, que soma 89 casos, e pela produção de cana-de-açúcar, com 49 registros. Essa distribuição evidencia o peso dessas atividades na economia nacional e a alta exposição dos produtores a variáveis externas.

A vulnerabilidade do setor é amplificada pela dependência de fatores que fogem ao controle direto do empresário rural. A flutuação constante dos preços das commodities no mercado internacional, os custos elevados de insumos e a necessidade de financiamento para ciclos de produção longos criam um ambiente de risco. Além disso, eventos climáticos adversos impactam diretamente a produtividade e a capacidade de geração de caixa das empresas.

Juros altos e crédito restrito seguem pressionando o setor

Apesar do início de um ciclo de redução na taxa básica de juros, o ambiente financeiro permanece restritivo para o agronegócio. O custo do capital continua em níveis elevados, dificultando a reestruturação das dívidas. Instituições financeiras mantêm uma postura seletiva na concessão de crédito, exigindo garantias mais robustas e aplicando spreads que encarecem o acesso aos recursos necessários para a manutenção das operações.

Essa restrição ao crédito limita o fluxo de caixa das empresas, forçando muitas delas a buscarem o amparo legal da recuperação judicial para evitar a falência. A consultoria RGF & Associados reforça que a combinação de juros altos e exigências bancárias rigorosas compõe um cenário de pressão contínua sobre as margens de lucro dos produtores, que lutam para equilibrar suas contas em um período de instabilidade econômica.

Centro-Oeste concentra avanço das recuperações

A dinâmica das recuperações judiciais no país reflete também as particularidades regionais do setor. A região Centro-Oeste, potência na produção nacional, registrou uma alta de 5,5% no número de empresas em recuperação durante o primeiro trimestre. O estado de Mato Grosso destaca-se nesse contexto, com um avanço de 13,2% no período e um salto de 36% quando comparado ao mesmo intervalo do ano anterior, evidenciando a intensidade da crise na região. Para mais informações sobre o setor, acompanhe as atualizações do Canal Rural.

Fonte: canalrural.com.br

Leia mais

Últimas

PUBLICIDADE