Navegabilidade reduzida no Porto de Itajaí impacta logística de cargas
O canal de acesso ao Porto de Itajaí, em Santa Catarina, enfrenta uma restrição operacional que preocupa o setor logístico. Uma redução de 30 centímetros na navegabilidade, determinada pela Marinha do Brasil, tem obrigado navios que operam na região a diminuírem a movimentação de contêineres em cerca de 10%. A medida foi oficializada após um atraso no envio do levantamento batimétrico, documento técnico essencial que detalha a profundidade das águas no local.
A restrição impõe desafios operacionais significativos para as empresas que utilizam o terminal. Segundo estimativas do setor, a limitação resulta em um carregamento médio de 220 TEUs a menos por embarcação. Em um cenário mensal, o impacto acumulado em um dos portos pode equivaler ao volume total de carga de um navio de grande porte, com capacidade para dez mil TEUs, evidenciando a relevância da manutenção do calado para a economia regional.
Medidas emergenciais e a busca por normalização
Diante do cenário de incertezas, a administração do Porto de Itajaí notificou a empresa responsável pela dragagem de manutenção. O objetivo é garantir que, em um prazo máximo de 48 horas, uma draga do tipo hopper seja mobilizada para realizar a sucção do material acumulado no canal. O superintendente do porto, Artur Antunes, reforçou que, apesar da restrição imposta, o canal permanece em condições de navegabilidade.
A gestão portuária argumenta que o atraso no envio dos dados de batimetria ocorreu devido à necessidade de uma análise técnica aprofundada sobre a presença de lama fluída na região. O estudo, entregue recentemente à Capitania dos Portos, busca demonstrar que a densidade desse material não compromete a segurança das manobras. A expectativa é que a análise desses novos dados permita a revisão da restrição atual, mitigando o ambiente de incerteza que afeta as operações.
Desafios da dragagem definitiva e gestão portuária
O complexo portuário atravessa um período de transição administrativa e busca estabilidade com o início de um contrato de dragagem definitiva, executado pela empresa Van Oord desde o início de abril. Este novo acordo possui vigência de um ano, com possibilidade de renovação por até cinco anos. O projeto de concessão do canal de acesso segue em análise no TCU.
A administração do terminal está sob responsabilidade da Codeba, que atua de forma transitória enquanto não se concretiza a criação da Companhia Docas de Santa Catarina. O histórico recente do porto inclui um período crítico entre 2022 e 2023, marcado pela saída da APM Terminals e por desafios operacionais que resultaram em perdas de calado. Atualmente, o esforço conjunto entre autoridades e empresas busca consolidar um modelo de gestão que garanta a eficiência logística e a segurança contínua das operações portuárias.
Fonte: agenciainfra.com