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A ciência por trás do mau humor causado pela fome

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A sensação de irritabilidade que surge quando o estômago está vazio é um fenômeno amplamente reconhecido, frequentemente descrito pelo termo em inglês “hangry” — uma fusão entre fome e raiva. Embora seja uma experiência comum, a ciência tem buscado compreender se essa alteração de humor é um reflexo direto da queda nos níveis de glicose ou se depende de uma percepção subjetiva do indivíduo sobre o próprio estado metabólico.

Um estudo recente, publicado na revista The Lancet eBioMedicine, sugere que a irritabilidade é, na verdade, uma resposta biológica que exige a consciência de que se está com fome. Os dados indicam que a glicose influencia as emoções de maneira indireta, tendo o sentimento de fome como o principal mediador. Sem a percepção consciente de que o corpo necessita de alimento, a queda da glicemia parece ter um impacto reduzido sobre o humor.

O papel da consciência corporal e da interocepção

A pesquisa destaca o conceito de interocepção, que define a capacidade do sistema nervoso de sentir e interpretar os sinais internos do organismo. Indivíduos que possuem maior precisão interoceptiva, ou seja, que conseguem identificar com clareza os sinais do próprio corpo, tendem a apresentar oscilações emocionais menos acentuadas. Quando o indivíduo reconhece que a irritação é motivada pela fome, ele pode adotar medidas imediatas para regular o humor.

O risco reside na desconexão com esses sinais. Se a origem do desconforto não é identificada, o cérebro pode interpretar o mal-estar como uma causa externa, o que frequentemente resulta em conflitos interpessoais desnecessários. Especialistas reforçam que a fome é uma experiência complexa, construída pelo cérebro a partir de múltiplos sinais simultâneos, e não apenas uma variação numérica nos níveis de glicose no sangue.

Diferenciação entre fome física e emocional

Para melhorar a regulação emocional, é fundamental aprender a distinguir os tipos de fome. A fome física manifesta-se de forma gradual e não exige um alimento específico para ser saciada. Em contrapartida, a fome emocional surge subitamente e costuma estar acompanhada pelo desejo por itens altamente palatáveis, como doces ou salgadinhos, que proporcionam um conforto imediato, mas muitas vezes passageiro.

Práticas como a atenção plena durante as refeições, que envolvem comer sem distrações tecnológicas e mastigar lentamente, são ferramentas eficazes para aprimorar a percepção corporal. O uso de diários alimentares, onde o paciente registra o estado emocional antes de comer, também auxilia na identificação de padrões que levam à irritabilidade, permitindo uma gestão mais consciente da rotina alimentar.

Desafios biológicos e estabilidade glicêmica

Indivíduos com sobrepeso ou obesidade podem apresentar uma precisão interoceptiva reduzida, muitas vezes devido a um estado inflamatório crônico que interfere nos circuitos cerebrais de regulação do apetite. Além disso, fatores hormonais desempenham um papel relevante, especialmente em mulheres, cujas variações de estrogênio e progesterona ao longo do ciclo menstrual influenciam diretamente a sensibilidade à insulina e o apetite.

Para manter a estabilidade glicêmica e evitar episódios de irritabilidade, recomenda-se evitar o consumo de carboidratos isolados. A combinação de fontes de energia com proteínas, fibras e gorduras de boa qualidade retarda a absorção de açúcar, prolongando a saciedade. Estar atento a sinais como cansaço súbito, dificuldade de concentração ou sensação de frio nas extremidades permite intervir antes que a fome se transforme em descontrole emocional.

Fonte: correiodecarajas.com.br

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