Uma expedição paleontológica realizada no município de Sousa, localizado a 430 quilômetros de João Pessoa, resultou na identificação de uma marca fóssil de dimensões expressivas. O achado, classificado como uma pegada tridáctila, apresenta 60 centímetros de comprimento e 63 centímetros de largura, sendo apontado pelos pesquisadores como um dos maiores registros do gênero já documentados em território brasileiro.
Contexto geológico e a descoberta no Vale do Rio do Peixe
O icnofóssil foi localizado em um afloramento rochoso na zona rural, a aproximadamente 15 quilômetros do centro urbano de Sousa. A área pertence à formação Antenor Navarro, situada na bacia do Rio do Peixe, uma região historicamente reconhecida por abrigar vestígios do período Cretáceo Inferior, datados de cerca de 140 milhões de anos.
A descoberta ocorreu durante atividades de mapeamento fotográfico para a criação de modelos 3D. O paleontólogo Fábio Cortes Faria, coordenador da equipe da UFRJ, destacou que, embora outros vestígios menores tenham sido identificados no mesmo sítio, a dimensão desta marca específica sobressai em relação aos registros anteriores da região.
Debate científico sobre a origem do animal
A classificação taxonômica do dinossauro responsável pela marca permanece sob análise. Enquanto parte da equipe sugere uma possível ligação com o grupo dos abelissauros, pesquisadores como Bruno Navarro, do Museu de Zoologia da USP, recomendam cautela. Segundo ele, a identificação precisa exige comparações com material ósseo, sendo possível que o animal pertença a grupos como carcarodontossauros ou espinossaurídeos.
As estimativas preliminares indicam que o membro do animal teria entre 278 cm e 326 cm de altura. Contudo, especialistas ressaltam que a determinação do tamanho total do espécime é complexa apenas com base na pegada, sendo necessária a publicação de um artigo científico formal para validar as conclusões sobre a magnitude do achado.
Desafios para a preservação do patrimônio paleontológico
A localização da pegada em uma via de acesso utilizada por veículos e animais impõe riscos imediatos à integridade do fóssil. Diante disso, a equipe de pesquisadores iniciou tratativas com a prefeitura de Sousa para implementar medidas de proteção, como o desvio do tráfego local, visando evitar a degradação do registro histórico.
O projeto, que conta com o apoio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Paraíba, busca integrar a população local na conservação dos sítios. A meta é transformar a região em um polo de preservação, utilizando a tecnologia de digitalização para criar um acervo acessível, conforme detalhado em estudos sobre a bacia do Rio do Peixe.
Fonte: dol.com.br