Mudança de postura sobre contatos com Daniel Vorcaro
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou ter solicitado e recebido recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar a produção do filme Dark Horse, que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A declaração marca uma mudança de posicionamento do parlamentar, que, há dois meses, havia negado qualquer tipo de contato com o empresário após revelações sobre a presença de seu número na agenda do banqueiro.
A revelação veio à tona após o site Intercept Brasil divulgar conversas e áudios trocados entre o senador e Vorcaro. Nas mensagens, datadas de setembro e novembro de 2025, o parlamentar cobrava o pagamento de parcelas atrasadas destinadas ao longa-metragem. Em nota oficial, Flávio Bolsonaro afirmou que conheceu o banqueiro apenas em dezembro de 2024, período em que o governo de seu pai já havia encerrado e não pesavam suspeitas públicas sobre o gestor do Banco Master.
Financiamento privado e a produção de Dark Horse
O senador defendeu a legalidade da operação, classificando o aporte como um patrocínio privado para uma obra cinematográfica. Segundo o parlamentar, não houve utilização de recursos públicos ou incentivos via Lei Rouanet. O filme, dirigido por Cyrus Nowrasteh e estrelado por Jim Caviezel, possui um orçamento que, conforme dados apurados pelo jornal O GLOBO, superou os R$ 62 milhões entre fevereiro e maio de 2025.
A produção, que retrata a campanha presidencial de 2018 e o atentado em Juiz de Fora, teve seus repasses intermediados pelo publicitário Thiago Miranda, a pedido do deputado federal Mario Frias (PL-SP). O montante transferido por Vorcaro, que atualmente está preso sob acusação de liderar um esquema de fraudes financeiras de até R$ 12 bilhões, supera o custo de grandes produções recentes do cinema nacional.
Repercussão política e o futuro da centro-direita
O caso gerou movimentações no campo conservador. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), defendeu a unidade da centro-direita, argumentando que o foco da oposição deve permanecer na disputa eleitoral de 2026 contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Embora tenha cobrado esclarecimentos sobre o episódio, Caiado ressaltou que falhas de ordem pessoal devem ser tratadas individualmente para evitar a fragmentação do grupo político.
Enquanto isso, o senador Flávio Bolsonaro reiterou sua defesa pela instalação de uma CPI do Banco Master. Em suas manifestações, o parlamentar enfatizou que não ofereceu vantagens em troca do patrocínio nem intermediou negócios com órgãos governamentais, buscando distanciar sua conduta das investigações que envolvem o banqueiro e o Banco Regional de Brasília (BRB).
Fonte: blogdomagno.com.br