Aos 91 anos, Serafim Jardim mantém um compromisso inabalável com a preservação da memória de Juscelino Kubitschek. Presidente da Casa JK, em Diamantina, ele se define como um especialista na trajetória do ex-presidente. Essa dedicação profunda foi o motor que o levou a questionar, desde o primeiro momento, a versão oficial sobre o acidente que vitimou o político em 1976.
Investigações e as lacunas do laudo oficial
Serafim Jardim foi a figura central na reabertura das investigações sobre o caso em 1996, buscando esclarecer a morte de Juscelino Kubitschek e de seu motorista, Geraldo Ribeiro. Atualmente, a historiadora Maria Cecília Adão, baseada em estudos do perito Sergio Erberg, reforça as dúvidas levantadas por Serafim. O relatório aponta a ausência de evidências técnicas que comprovem a tese de que o veículo de JK teria se desgovernado após um impacto na traseira.
O laudo pericial da época é alvo de críticas severas por parte de Serafim, que o considera inaceitável. O documento original carece de registros fotográficos da traseira do automóvel, não apresenta exames de tintas para confirmar colisão e omite imagens dos corpos das vítimas. Para o pesquisador, a falta de rigor técnico na apuração inicial impediu que a verdade fosse estabelecida há décadas.
O trajeto suspeito e a parada no hotel
No dia 22 de agosto de 1976, o país perdia seu ex-presidente. Dias antes, em 7 de agosto, o jornalista Wilson Frade havia alertado Serafim sobre rumores de um acidente, o que levou JK a declarar em sua fazenda em Luziânia: “Estão querendo me matar”. O trajeto final do veículo, que saiu de São Paulo em direção ao Rio de Janeiro, guarda um mistério nunca totalmente elucidado.
O Opala de JK realizou uma parada de 90 minutos no Hotel Fazenda Villa-Forte, fundado por um dos criadores do Cisa, o Centro de Informações de Aeronáutica. A natureza dessa reunião e a possibilidade de sabotagem no veículo durante esse período permanecem como pontos cegos na história. Serafim questiona se o ex-presidente teria sido atraído para o local sob falsos pretextos.
Exumação e a busca por respostas
Durante a reabertura do caso em 1996, a exumação do corpo de Geraldo Ribeiro revelou a presença de um fragmento metálico em seu crânio. Na ocasião, a perícia concluiu tratar-se de um prego do caixão, uma explicação que nunca convenceu plenamente os defensores de uma investigação mais profunda. Serafim Jardim relata que aguardou o falecimento da ex-primeira-dama Sarah Kubitschek para retomar as apurações, respeitando a postura da viúva, que temia que o caso atrapalhasse o processo de redemocratização do país.
O empenho de figuras como Serafim Jardim mantém viva a chama da investigação, quase 50 anos após o trágico evento na Via Dutra. A esperança de que novas tecnologias e a análise de documentos históricos possam finalmente revelar o que ocorreu no km 165 continua a mover aqueles que não aceitam a versão oficial dos fatos. Para mais detalhes sobre o contexto histórico, consulte a fonte oficial do Arquivo Nacional.
Fonte: blogdomagno.com.br