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China expande acesso para frigoríficos dos EUA em movimento estratégico no mercado de carne bovina

Em um movimento que repercute globalmente no setor agroindustrial, a China anunciou a renovação das licenças de exportação de carne bovina para 402 frigoríficos americanos, além de habilitar 77 novas plantas dos Estados Unidos. A decisão, divulgada em 15 de maio, eleva o número total de unidades americanas autorizadas a exportar para o mercado chinês para 730, embora 38 delas permaneçam com embarques suspensos. As licenças anteriores estavam vencidas desde fevereiro e março do ano passado, tornando a medida um ponto de atenção para os principais players do comércio internacional de carnes.

Apesar da aparente expansão do acesso para a carne bovina americana, a comunidade exportadora brasileira avalia a ação de Pequim como um gesto predominantemente político. A medida teria sido estrategicamente timed durante a visita do então presidente Donald Trump ao país, com um impacto prático limitado no curto prazo para o mercado. Essa perspectiva é amplamente baseada na atual conjuntura da oferta de carne bovina nos Estados Unidos, que enfrenta desafios de disponibilidade.

Pequim amplia habilitações para carne bovina americana

A recente decisão da China representa uma significativa abertura formal para a indústria de carne bovina dos Estados Unidos. Com a renovação de 402 licenças e a habilitação de mais 77 plantas, o número de frigoríficos americanos aptos a exportar para o gigante asiático atinge a marca de 730. Este volume inclui, no entanto, 38 unidades que ainda não podem realizar embarques devido a suspensões anteriores. A medida encerra um período de incerteza para muitas dessas empresas, cujas autorizações estavam expiradas há mais de um ano.

A China é um dos maiores importadores de carne bovina do mundo, e o acesso ao seu mercado é crucial para os países exportadores. A reativação e a expansão das licenças americanas sinalizam uma continuidade nas relações comerciais entre as duas potências, mesmo em meio a cenários geopolíticos complexos. Contudo, a efetividade dessa abertura no volume de comércio é objeto de análise por especialistas do setor.

Análise brasileira: gesto político com impacto limitado

No Brasil, um dos principais exportadores globais de carne bovina, a reação à notícia foi de cautela e análise estratégica. O setor exportador brasileiro interpretou a ação chinesa como um gesto político, sem expectativas de um impacto prático imediato e significativo no mercado. A avaliação é que os Estados Unidos enfrentam uma escassez de oferta de carne bovina, o que limitaria sua capacidade de exportar grandes volumes para a China, independentemente do número de plantas habilitadas.

Luis Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, corroborou essa visão. Ele afirmou que o efeito prático da medida deverá ser bastante reduzido, dada a disponibilidade limitada de carne nos EUA neste momento. Essa análise é compartilhada por exportadores e fontes familiarizadas com o mercado chinês, que indicam que a cota americana, embora existente, não será facilmente preenchida devido à redução do rebanho bovino no país.

Desafios da oferta americana e cotas de exportação

Os Estados Unidos possuem uma cota de 164 mil toneladas para exportação de carne bovina para a China até 2026. No entanto, os dados mais recentes indicam que o país vendeu menos de mil toneladas para os chineses até fevereiro deste ano, um volume consideravelmente baixo em relação à cota estabelecida. Essa discrepância reforça a percepção de que a escassez de oferta interna nos EUA é um fator limitante para o aproveitamento pleno das licenças concedidas.

A expectativa é que o governo chinês divulgue, na próxima semana, dados atualizados sobre as importações e o preenchimento das cotas. Esses números serão cruciais para confirmar a real capacidade dos EUA de atender à demanda chinesa. A competição no mercado global de carne bovina é intensa, e a capacidade de fornecimento é um diferencial estratégico para os países exportadores.

Cenário do comércio de carne bovina Brasil-EUA e China

Enquanto a China amplia o acesso para os frigoríficos americanos, o Brasil segue consolidando sua posição nos mercados internacionais. Os EUA já se tornaram o segundo principal mercado para os abatedouros brasileiros, atrás apenas da China. No acumulado entre janeiro e abril de 2026, o Brasil exportou 149,8 mil toneladas para os Estados Unidos, gerando uma receita de US$ 962,5 milhões para o setor. A expectativa de uma possível retirada da tarifa de 26,4% sobre as importações de carne bovina pelos EUA, sinalizada por Donald Trump no início da semana, poderia beneficiar ainda mais os frigoríficos nacionais, embora a ordem executiva ainda não tenha sido assinada.

Para a China, o Brasil já exportou quase 475 mil toneladas no primeiro quadrimestre. A cota brasileira para o mercado chinês é de 1,1 milhão de toneladas. Em 9 de maio, Pequim informou que 50% desse volume já havia sido preenchido, considerando as cargas que entraram no país até meados de março. Exportadores preveem que os volumes enviados pelo Brasil em abril, maio e junho esgotarão praticamente a cota até julho, levando a uma desaceleração do abate de bovinos e da produção de cortes para a China a partir da segunda quinzena de junho. A eventual desoneração temporária para os americanos não deve alterar o cenário atual de alta rentabilidade para as empresas brasileiras no mercado chinês, mas a situação pode mudar no segundo semestre do ano, quando a cota chinesa se esgotar.

Para mais informações sobre o comércio internacional de produtos agrícolas, consulte o Ministério da Agricultura e Pecuária.

Fonte: globorural.globo.com

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