Mudança na custódia de Daniel Vorcaro
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, determinou a transferência do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal. A decisão foi fundamentada no fato de que o dono do Banco Master já concluiu a entrega de sua parte na delação premiada, perdendo assim o status diferenciado que possuía durante o período de negociações.
Com a alteração no regime de custódia, os advogados de defesa perdem a autorização especial que permitia visitas em horários flexíveis, prerrogativa que vigorou até o domingo (17). O magistrado entendeu que, uma vez formalizada a colaboração, não subsistem motivos para que o investigado permaneça sob regras distintas das aplicadas aos demais detentos da unidade.
Fim do regime especial na Superintendência
Anteriormente, Daniel Vorcaro ocupava a Sala de Estado-Maior da Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal, espaço historicamente reservado a autoridades e figuras públicas. O ministro André Mendonça havia autorizado essa acomodação em 24 de março, transferindo o banqueiro da Penitenciária Federal de Brasília para o local onde também esteve custodiado o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Antes de ocupar a Sala de Estado-Maior, o banqueiro estava alojado em uma instalação com recursos limitados, que contava com uma estrutura básica de concreto. A mudança atual reverte o tratamento excepcional, alinhando a situação de Vorcaro às normas padrão de detenção da instituição.
Contexto da delação e pressões na Operação Compliance Zero
O processo de colaboração de Daniel Vorcaro ocorre em meio a desdobramentos da Operação Compliance Zero. A prisão de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, é vista por investigadores como um fator de pressão que pode influenciar a robustez das provas apresentadas pelo ex-banqueiro, incluindo a revelação de novos nomes envolvidos no esquema sob apuração da Polícia Federal.
A defesa tem buscado, desde o início das tratativas com a Procuradoria-Geral da República (PGR), garantir imunidade jurídica para familiares, incluindo o pai e a irmã do banqueiro. O objetivo central seria evitar que crimes como lavagem de dinheiro, supostamente operados por meio de contas de parentes, resultem em imputações diretas contra eles.
Negociações com a PGR e PF
Em 6 de maio, a defesa de Vorcaro submeteu uma nova proposta de delação premiada. A iniciativa surgiu após a recusa inicial da PGR e da PF, que consideraram o conteúdo da primeira colaboração incompleto e insuficiente para sanar as dúvidas dos investigadores. Os advogados trabalham agora para convencer as autoridades da viabilidade e da relevância das novas informações fornecidas pelo dono do Banco Master.
Fonte: jovempan.com.br