A malha aérea brasileira se prepara para um período de significativas contrações, com a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) projetando uma redução de 2.601 voos para o mês de junho. Este corte se soma aos 3.538 voos já perdidos em maio, indicando um cenário desafiador para o setor. A principal causa apontada é a persistente alta nos preços do Querosene de Aviação (QAV), que tem pressionado as companhias e as levado a reavaliar suas operações.
aviacao: cenário e impactos
O panorama foi detalhado durante uma audiência pública na Câmara dos Deputados, onde representantes do governo e do setor aéreo debateram as dificuldades enfrentadas. Apesar da reconfiguração das rotas, a ANAC assegura que, até o momento, nenhum destino deixou de ser atendido, embora a frequência e a oferta de assentos sejam impactadas.
Redução na malha aérea e impactos regionais
A análise da ANAC, apresentada por Luis Fernando Pimentel, gerente de Acompanhamento de Mercado, compara a oferta de voos atual com o cenário de fevereiro, antes do início do conflito entre Estados Unidos e Irã, que serviu como um marco para a volatilidade do mercado de combustíveis. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) corrobora os dados, estimando uma média de 93 voos a menos por dia em maio, em comparação com o ano anterior, e projetando que essa média atinja 121 voos diários em junho.
Apesar da expressiva diminuição na quantidade de voos, o gerente da ANAC destacou que a cobertura geográfica da aviação no país foi mantida. No entanto, a região Centro-Oeste foi identificada como a mais afetada pelas reconfigurações e cortes. Essa manutenção dos destinos, mesmo com a redução da malha, reflete um esforço das empresas para otimizar recursos e priorizar a conectividade essencial, ainda que com menor frequência.
Dificuldades no acesso a linhas de crédito para a aviação
Um dos pontos críticos levantados na audiência foi a dificuldade das companhias aéreas em acessar as linhas de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que utilizam recursos do Fundo Nacional da Aviação Civil (FNAC). Clarissa Barros, diretora de Outorgas, Patrimônio e Políticas Regulatórias Aeroportuárias do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), informou que, embora duas empresas já tenham solicitado acesso a esses créditos, elas enfrentam obstáculos para apresentar as garantias extras exigidas, o que complica a liberação dos fundos.
Juliano Noman, presidente da Abear, confirmou a situação, ressaltando que poucas das medidas anunciadas pelo governo até então tiveram um impacto real e imediato para as empresas, incluindo a redução de impostos sobre o combustível. Em resposta a essa demanda, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou uma resolução que disponibiliza R$ 1 bilhão em crédito para as companhias aéreas. Administrados pelo Banco do Brasil, esses recursos terão o risco de crédito integralmente assumido pelo governo, com prazos de pagamento de até seis meses, taxas especiais e um limite de até 1,6% do faturamento bruto anual de 2025 da companhia, limitado a R$ 330 milhões.
Debates e críticas sobre a resposta governamental
A audiência pública contou com a participação de representantes de diversos ministérios, incluindo Turismo, Justiça e Segurança Pública, e Minas e Energia. A ausência de um representante da pasta da Fazenda, cujo comparecimento estava previsto, gerou críticas do deputado Felipe Carreras (PSB-PE), que classificou a falta como “desrespeito”. O parlamentar anunciou que será redigida uma convocação para o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e que enviará um extrato da audiência ao presidente. Carreras também criticou a falta de coesão entre as diferentes áreas do governo na abordagem da crise aérea.
Em contrapartida, Daniel Carnaúba, coordenador-geral de Monitoramento de Mercado do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, defendeu as ações governamentais. Ele afirmou que, desde o início do conflito no Oriente Médio, a Senacon tem intensificado o contato com os Procons em todo o país para coibir aumentos abusivos nos preços das passagens. Além disso, Carnaúba destacou o diálogo constante com as pastas do executivo, governos locais e o Congresso Nacional, buscando soluções para a situação.
Fonte: agenciainfra.com