O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom das negociações diplomáticas nesta quarta-feira, 27 de maio de 2026, ao declarar que o governo iraniano deve aceitar os termos de um novo acordo ou enfrentar as consequências de uma retomada das operações militares. Durante uma reunião de gabinete realizada na Casa Branca, o líder norte-americano afirmou que, embora Teerão demonstre interesse em um entendimento, as propostas apresentadas até o momento são insuficientes para satisfazer as exigências de Washington.
A declaração ocorre em um momento de alta tensão, após a suspensão temporária, em abril, das operações militares iniciadas em 28 de fevereiro. Trump enfatizou que não possui pressa para concluir o processo, contradizendo sinalizações anteriores de que um desfecho estaria próximo. O impasse ganha contornos mais complexos com a divulgação de informações conflitantes pela mídia estatal iraniana, que a presidência dos EUA classificou como meras invenções estratégicas.
Ultimato no Irão e a ameaça de retomada militar
O discurso de Trump foi direto ao ponto ao mencionar que, caso as negociações não avancem para um patamar satisfatório, os Estados Unidos terão de “acabar o trabalho”. Esta expressão é vista por analistas como uma referência clara ao reinício dos bombardeios e incursões que marcaram o início do ano. O presidente reiterou que os iranianos estão negociando sob pressão extrema, descrevendo-os como estando “sem fôlego” diante das sanções e do cerco militar.
Em resposta, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) reagiu às ameaças de Washington. A organização paramilitar afirmou que transformaria a sua costa em um “cemitério para os agressores” caso as operações lideradas pelos EUA e por Israel fossem retomadas. Esse clima de hostilidade aberta dificulta a mediação diplomática, enquanto a Casa Branca mantém a postura de que apenas uma rendição total às exigências nucleares poderá evitar o conflito.
Controle do Estreito de Ormuz e a soberania marítima
Um dos pontos centrais da discórdia envolve o controle do Estreito de Ormuz, uma das vias marítimas mais importantes para o comércio global de petróleo. Trump rejeitou categoricamente qualquer possibilidade de o Irão ou o sultanato de Omã gerirem um sistema de portagens na região. O presidente chegou a emitir um aviso severo a Omã, sugerindo que o país deve se alinhar aos interesses norte-americanos para evitar represálias militares diretas.
A televisão estatal iraniana divulgou um suposto rascunho de acordo que incluiria os seguintes pontos, negados prontamente pelos EUA:
- Levantamento total do bloqueio naval ao Irão.
- Restabelecimento livre do tráfego no Estreito de Ormuz.
- Retirada completa das forças norte-americanas do Golfo Pérsico.
- Compromissos de não agressão mútua.
Trump foi enfático ao dizer que ninguém controlará o estreito além da supervisão internacional garantida pela presença militar de Washington. A manutenção da hegemonia naval no Golfo Pérsico é considerada inegociável para a atual administração, que vê na região um ponto vital para a segurança energética dos seus aliados ocidentais.
Acordos de Abraão como peça fundamental da estratégia
O presidente norte-americano sugeriu que a assinatura de um eventual acordo com o Irão está intrinsecamente ligada à geopolítica regional mais ampla. Trump indicou que o sucesso das conversas pode depender da pressão para que a Arábia Saudita e outras nações árabes assinem os Acordos de Abraão, que visam a normalização das relações diplomáticas com Israel. Para a Casa Branca, a estabilidade no Oriente Médio passa obrigatoriamente pelo reconhecimento do Estado israelense.
“Não sei se devemos fazer o acordo se eles não assinarem”, afirmou Trump, vinculando a paz com o Irão à aceitação da nova ordem regional proposta pelos EUA. Essa estratégia busca isolar Teerão diplomaticamente, forçando o regime a escolher entre a integração econômica sob os termos de Washington ou o isolamento total e a confrontação militar contínua.
Impasse nuclear e o destino do urânio enriquecido
A principal motivação declarada para a guerra iniciada por Trump é impedir que o Irão obtenha armas nucleares. O presidente confirmou que pode aceitar um memorando de entendimento que adie a questão das reservas de urânio enriquecido para uma fase posterior das negociações, desde que o processo de abertura das vias marítimas seja acelerado. No entanto, ele expressou desconforto com a possibilidade de a Rússia ou a China receberem o urânio iraniano como parte de um acordo de custódia.
O secretário de Estado, Marco Rubio, que acompanhou a reunião, destacou que houve progressos pontuais, mas que a viabilidade de um avanço real será testada nas próximas horas. A diplomacia norte-americana permanece em alerta máximo, monitorando cada sinal vindo de Teerão. Para mais detalhes sobre o contexto internacional desta crise, acesse a cobertura completa da Euronews.