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Impacto global dos alimentos inseguros: milhões adoecem e morrem anualmente, alerta OMS

Cleared/Canva
Reprodução Euronews

A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta contundente sobre as graves consequências dos alimentos inseguros para a saúde global, revelando que milhões de pessoas são prejudicadas anualmente, com um impacto desproporcional sobre as crianças. Os dados mais recentes da organização pintam um quadro preocupante, destacando a necessidade urgente de ações coordenadas para garantir a segurança alimentar em todo o mundo.

De acordo com o relatório da OMS, mais de 860 milhões de indivíduos adoecem e cerca de 1,5 milhão perdem a vida a cada ano devido ao consumo de alimentos contaminados ou mal manuseados. Este cenário sublinha a magnitude de um problema de saúde pública que, embora persistente, carecia de uma compreensão global de seu custo humano e econômico até agora.

A dimensão da crise: milhões de vidas afetadas por alimentos inseguros

O relatório, divulgado em antecipação ao Dia Mundial da Segurança Alimentar, enfatiza que a segurança alimentar transcende uma questão abstrata, tocando diretamente a vida de cada família e a qualidade de cada refeição diária. A falta de alimentos seguros representa um desafio constante para a saúde pública, com implicações vastas e complexas.

A OMS ressalta que, pela primeira vez, os países dispõem de informações detalhadas para identificar as regiões mais afetadas. Este conhecimento é crucial para que os governos possam estabelecer prioridades e implementar as medidas necessárias para proteger a saúde de suas populações.

O pesado fardo econômico e as vulnerabilidades

Além do custo humano, os alimentos inseguros impõem um fardo econômico significativo. Estimativas para o ano de 2021 indicam que as doenças transmitidas por alimentos resultaram em uma perda de produtividade de aproximadamente 310 bilhões de dólares. Este valor reflete o impacto na força de trabalho e na economia global.

A organização aponta que uma parcela considerável dessas doenças e mortes poderia ser evitada. Melhorias na água, saneamento e higiene, a adoção de boas práticas de segurança alimentar, como a pasteurização, e o acesso facilitado a cuidados de saúde para comunidades vulneráveis são medidas essenciais para mitigar este problema.

Crianças: as vítimas mais frágeis da contaminação alimentar

As crianças com menos de cinco anos emergem como o grupo mais vulnerável, enfrentando um risco três vezes maior de adoecer em comparação com crianças mais velhas e adultos. Em 2021, elas foram responsáveis por 29% da carga de doenças associadas a alimentos inseguros e por 143 mil mortes.

Apesar de representarem apenas 9% da população mundial, as crianças pequenas sofrem quase um terço de todos os casos de doenças transmitidas por alimentos, especialmente as diarreicas, que podem ser fatais nesta faixa etária. Além disso, a exposição a substâncias químicas através dos alimentos pode prejudicar o desenvolvimento cerebral e causar danos neurológicos e de desenvolvimento duradouros.

O relatório também destaca profundas desigualdades nos sistemas alimentares. Comunidades com poucos recursos e países de baixo e médio rendimento suportam a maior carga de doenças. As regiões africana e do Sudeste Asiático, juntas, concentram quase três quartos de todas as doenças transmitidas por alimentos e 60% das mortes globais.

Mudanças climáticas e a urgência da prevenção

A OMS alerta que as mudanças climáticas devem agravar ainda mais a questão da segurança alimentar. Fenômenos meteorológicos extremos, o aumento das temperaturas do ar e da água, e alterações nos padrões de precipitação são fatores que amplificarão os riscos de doenças transmitidas por alimentos, tanto as já existentes quanto as emergentes.

A prevenção é a chave para combater este desafio crescente. A implementação de políticas robustas e a conscientização pública sobre práticas seguras de manuseio e consumo de alimentos são fundamentais para proteger a saúde das pessoas e garantir um futuro mais seguro. Para mais informações sobre segurança alimentar, visite o site da Organização Mundial da Saúde.

Principais doenças transmitidas por alimentos na Europa

As doenças transmitidas por alimentos podem ser infecciosas ou tóxicas, causadas por diversos agentes que entram no organismo através de alimentos contaminados. Na Europa, algumas das mais comuns incluem:

  • Campilobacteriose: Frequentemente associada a carne de aves crua ou mal cozinhada, leite não pasteurizado, carne de ruminantes e água contaminada. Apresenta sazonalidade, com pico nos meses de verão.
  • Salmonelose: Ligada a ovos e carne crua de porco, perus e frangos. Os sintomas incluem febre, diarreia e cólicas abdominais, podendo ser fatal se a bactéria atingir a corrente sanguínea.
  • Infecção por STEC: Relacionada ao consumo de carne crua ou mal cozinhada, produtos lácteos não pasteurizados, hortaliças de folhas cruas e sumos não pasteurizados.
  • Listériose: Uma infecção rara, mas frequentemente grave, com altas taxas de hospitalização e mortalidade.

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