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Mobilização de trabalhadores rurais ocupa sede do Incra em Marabá por reforma agrária

Wellington revela que mesmo com os avanços do governo, a pauta ainda continua por vezes estagnada
Wellington revela que mesmo com os avanços do governo, a pauta ainda continua por vezes estagnada

A sede da Superintendência Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), localizada no núcleo Cidade Nova, em Marabá, tornou-se o centro de uma mobilização estadual de grande escala. Aproximadamente 2,3 mil trabalhadores rurais, vinculados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), à Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do Estado do Pará (Fetraf-PA) e à Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Fetagri), ocupam as áreas interna e externa do órgão.

O grupo permanece acampado por tempo indeterminado, exigindo que o Governo Federal apresente soluções efetivas para demandas históricas do campo. A ocupação, que começou com o MST e expandiu-se com a adesão de outras entidades, reflete a urgência de famílias que aguardam há décadas por acesso à terra e políticas públicas de desenvolvimento rural.

Demandas por celeridade e reestruturação administrativa

A pauta central dos movimentos inclui a criação de novos assentamentos, a regularização fundiária e a realização de vistorias em áreas destinadas à reforma agrária. Lideranças apontam que a morosidade administrativa e a falta de estrutura operacional no Incra são os principais entraves para a execução de projetos que beneficiariam milhares de famílias.

Wellington Saraiva, representante da coordenação nacional do MST, destacou que o Pará concentra cerca de 30% do orçamento nacional para a reforma agrária, mas sofre com a lentidão dos processos. Segundo ele, muitas famílias esperam há 20 ou 30 anos por um assentamento, atingindo idades avançadas sem que o direito à terra seja concretizado.

Críticas à gestão e ao cenário de conflitos agrários

Além da questão fundiária, os movimentos criticam a postura do Estado diante dos conflitos no campo. Segundo os dirigentes, o aparato público tem atuado, em diversas ocasiões, prioritariamente na proteção patrimonial de fazendas, enquanto as reivindicações das famílias de agricultores familiares permanecem sem resposta.

Roberto Elias de Lima, representante da Fetraf, ressaltou que, embora existam 13 mil famílias cadastradas no sistema, os encaminhamentos práticos não avançam. A expectativa criada por programas governamentais não teria se traduzido em resultados concretos, aumentando a frustração das bases organizadas.

Logística e exigência de mesa de negociação

Toda a estrutura do acampamento, incluindo alimentação e suprimentos, é mantida de forma autônoma pelos próprios trabalhadores. Joffre Alves de Lima Filho, coordenador da Fetraf Pará, enfatizou que não há auxílio financeiro externo, reforçando que a mobilização é uma iniciativa coletiva em busca de direitos fundamentais.

Para encerrar o impasse, os movimentos exigem a instalação imediata de uma mesa de negociação de alto nível. O grupo solicita a presença de representantes da Presidência da República, Ministério do Desenvolvimento Agrário, Ministério do Meio Ambiente, Ministério Público Federal, Ibama, ICMBio, Iterpa e da empresa Vale, visando um debate abrangente sobre o futuro da reforma agrária na região.

Fonte: correiodecarajas.com.br

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