Uma operação de busca e resgate de grande escala segue mobilizada no Rio Xingu, em Altamira, no sudoeste do Pará, após o naufrágio de duas embarcações. Até o momento, cinco corpos foram localizados pelas equipes que atuam na região da Cachoeira Rebojo do Avelino, na Terra Indígena Koatinemo. As autoridades e familiares ainda buscam por uma pessoa que permanece desaparecida, intensificando os esforços em um trecho conhecido pela periculosidade da navegação.
O acidente, ocorrido na noite da última quarta-feira, 10 de junho, desencadeou uma força-tarefa que envolve diversas instituições e comunidades locais. A complexidade do cenário, com fortes correntezas e formações rochosas, impõe desafios significativos aos mergulhadores e equipes especializadas, que trabalham incansavelmente para concluir a missão.
Balanço das vítimas e a continuidade das buscas
Entre os corpos encontrados, quatro foram localizados na sexta-feira, 12 de junho, e um na quinta-feira, 11 de junho. As vítimas incluem duas crianças, de 5 e 12 anos, a mãe da criança de 5 anos, um jovem de 22 anos e um homem de 44 anos. O corpo do homem de 44 anos, identificado como Romário Kaiapó, piloto de uma das embarcações, foi o primeiro a ser encontrado.
Atualmente, as buscas estão concentradas na localização de um adolescente de 14 anos que segue desaparecido. Os corpos resgatados na sexta-feira foram levados à orla de Altamira para os procedimentos legais, enquanto familiares e membros das comunidades indígenas acompanham de perto os trabalhos, que não têm previsão de encerramento.
Detalhes do acidente e a periculosidade do trecho
O naufrágio ocorreu em uma área do Rio Xingu notoriamente perigosa para a navegação, a Cachoeira Rebojo do Avelino. Vídeos registrados durante a operação de resgate evidenciam a intensidade da correnteza no local, que é considerado um dos trechos mais desafiadores do rio. As condições adversas contribuíram para a gravidade do acidente e dificultam as operações de busca.
As informações iniciais indicavam que uma das embarcações transportava dez pessoas, das quais quatro conseguiram se salvar e seis desapareceram. Posteriormente, foi confirmado que um total de aproximadamente 26 pessoas estavam distribuídas entre as duas embarcações envolvidas no naufrágio. O local do acidente é de difícil acesso, com formações rochosas e corredeiras que aumentam os riscos para as equipes de resgate.
O impacto nas comunidades indígenas e a força-tarefa
Entre os ocupantes das embarcações estavam indígenas das etnias Kayapó e Xikrin, o que ressalta o impacto do acidente nas comunidades tradicionais da região. O Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) emitiu uma nota de pesar, lamentando a perda de Romário Kaiapó e prestando solidariedade aos seus familiares e à comunidade.
A operação de resgate é uma força-tarefa conjunta que inclui o Corpo de Bombeiros Militar do Pará, militares do 51º Batalhão de Infantaria de Selva (51º BIS) com apoio de embarcações do Exército Brasileiro, além de equipes da Marinha do Brasil, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e da Norte Energia. O prefeito de Altamira, Loredan Mello, afirmou que a administração municipal está prestando todo o apoio necessário às instituições envolvidas. A Funai, por sua vez, ainda não havia se pronunciado oficialmente sobre o caso até o fechamento desta edição.
As buscas prosseguem sem prazo definido para serem encerradas, dependendo diretamente das condições climáticas, de navegação e da visibilidade na região para garantir a segurança das equipes e a eficácia dos trabalhos. Para mais informações sobre as ações da Funai, visite o site oficial.
Fonte: avozdoxingu.com.br