Em um cenário de crescentes tensões geopolíticas, o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, defendeu os aliados europeus da organização após o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expressar desilusão com a falta de apoio na questão do Irão. O encontro, realizado na Casa Branca, em Washington, antecede uma cimeira crucial da Aliança, onde as relações transatlânticas e a estratégia de defesa serão temas centrais.
Trump havia reiterado suas queixas sobre a NATO, alegando que os aliados não apoiaram a operação militar conjunta dos Estados Unidos e Israel contra o Irão, sentindo-se “abandonado”. A operação, que ocorreu sem consulta prévia à NATO, gerou ceticismo entre importantes nações europeias quanto à sua necessidade e legitimidade.
As críticas de Trump e a resposta diplomática de Rutte
Donald Trump não poupou palavras ao exigir “lealdade” dos aliados, afirmando que, embora os Estados Unidos possuam as forças armadas mais poderosas do mundo e não precisem de recursos financeiros, a cooperação leal era fundamental. Suas declarações sublinharam uma percepção de desengajamento por parte de alguns membros da Aliança em momentos críticos.
Em resposta, Mark Rutte adotou um tom diplomático, reconhecendo que “casos isolados” poderiam ter desapontado o presidente norte-americano. Contudo, o secretário-geral da NATO fez questão de enfatizar que, “de um modo geral, os aliados europeus estiveram ao seu lado”, buscando reassegurar o compromisso coletivo com a segurança e a defesa.
O uso de bases europeias e a reação iraniana
Para ilustrar o apoio europeu, Rutte destacou que entre 4.000 e 5.000 aviões norte-americanos teriam descolado de bases na Europa antes de um cessar-fogo ser acordado entre Irão e Estados Unidos. Em declarações posteriores à imprensa, ele mencionou especificamente que quinhentos aviões dos EUA partiram de bases em Itália para apoiar a operação, referida por Washington como “Fúria Épica”.
As declarações de Rutte, no entanto, provocaram uma condenação imediata por parte de Teerão. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baqaei, acusou a NATO de “cumplicidade ativa” em uma “guerra ilegal” e de “violação flagrante de normas imperativas do direito internacional e dos princípios fundamentais da Carta da ONU”.
A controvérsia italiana e a preparação para a cimeira
A menção às bases italianas levou o Ministério da Defesa da Itália a se distanciar rapidamente das afirmações de Rutte. Roma esclareceu que as declarações transmitiam uma “mensagem completamente enganosa”, pois o país apenas havia permitido voos norte-americanos de natureza “técnica e logística”, conforme acordos bilaterais existentes, e não para operações de combate direto.
Este episódio de atrito ocorre a poucas semanas da cimeira da NATO, agendada para 7 e 8 de julho em Ancara, onde líderes dos 32 Estados-membros se reunirão. O segundo mandato de Trump foi marcado por tensões recorrentes com aliados, incluindo ameaças de anexar a Gronelândia, e uma pressão crescente para que a Europa assuma maior responsabilidade pela sua própria defesa convencional, enquanto o foco estratégico dos EUA se desloca para a China. O Pentágono já havia informado os aliados sobre a redução de meios para operações da NATO, alimentando receios de maior vulnerabilidade no continente europeu. Para mais informações sobre a política externa europeia, visite Euronews.