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Terremoto na Venezuela: janela de resgate se fecha com balanço de quase 1.500 mortos

Socorristas do Exército mexicano procuram pessoas presas em edifícios colapsados após os terramotos que atingiram La Guaira, 28 de junho de 2026 AP Photo
Reprodução Euronews

A Venezuela enfrenta um cenário de devastação e desespero após ser atingida por poderosos terremotos, que resultaram em um balanço de quase 1.500 mortos e centenas de edifícios em ruínas. Com o encerramento da janela crítica de 72 horas para o resgate de sobreviventes, as operações de busca agora se transformam em uma corrida contra o tempo para recuperar corpos, enquanto a nação lida com as consequências de um dos desastres naturais mais severos de sua história recente.

A tragédia se aprofunda em um país já imerso em uma profunda crise econômica, onde a infraestrutura precária e a escassez de recursos amplificam o sofrimento da população. Equipes de resgate, tanto locais quanto internacionais, trabalham incansavelmente em meio aos escombros, buscando por sinais de vida e enfrentando desafios logísticos e humanitários sem precedentes.

O impacto devastador do terremoto na Venezuela

O país foi abalado por dois sismos de magnitude 7,2 e 7,5 na noite de quarta-feira, causando um rastro de destruição. O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, informou que 774 edifícios foram gravemente danificados, com 189 deles colapsando completamente. Cidades costeiras como La Guaira foram particularmente atingidas, transformando-se em um amontoado de escombros.

O número de mortos, que já ultrapassa 1.450, conforme balanço divulgado no domingo por Rodríguez, é esperado que aumente à medida que as buscas avançam. Além das fatalidades, 3.150 feridos foram registrados, sobrecarregando os serviços de saúde locais. A dimensão do desastre sugere que milhões de pessoas podem ficar sem saneamento e outros bens básicos, agravando a crise humanitária.

A corrida contra o tempo: esforços de resgate e a esperança de vida

As primeiras 72 horas após um desastre natural são consideradas cruciais para encontrar sobreviventes. Durante esse período, equipes de emergência, incluindo cães de busca e voluntários, multiplicaram esforços. Em um raro momento de esperança, um homem e seu filho adolescente foram resgatados com vida no domingo em Caraballeda, uma localidade próxima a Caracas, por equipes de salvamento francesas e norte-americanas.

Apesar de histórias como essa, a realidade é sombria. Residentes desesperados, como Hector Aguilera em La Guaira, escavam à mão em busca de familiares presos, muitos deles já sem esperança de encontrá-los com vida. A complexidade do cenário exige equipamentos pesados e coordenação, que nem sempre estão prontamente disponíveis.

Desafios humanitários e a resposta em meio à crise

A situação pós-terremoto revelou uma série de desafios humanitários. Além da perda de vidas e da destruição de lares, dezenas de milhares de pessoas continuam desaparecidas. A falta de apoio adequado para a remoção de escombros tem gerado indignação pública, com moradores clamando por mais ação das autoridades.

Em La Guaira, foram registrados episódios de pilhagem em farmácias, supermercados e outros estabelecimentos, refletindo o desespero e a escassez de ajuda. Em Caracas, grandes telas eletrônicas foram usadas para exibir os rostos dos desaparecidos, na tentativa de auxiliar nas buscas e identificações. A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, elogiou os esforços de resgate e garantiu que as operações não serão suspensas.

Solidariedade internacional e o apoio contínuo

Diante da magnitude da catástrofe, a comunidade internacional mobilizou-se para prestar assistência. Equipes de resgate dos Estados Unidos, México e outros países uniram-se aos esforços locais. O Ministério dos Negócios Estrangeiros informou que 53 portugueses e lusodescendentes estão entre as vítimas mortais, com 83 ainda desaparecidos, o que levou Portugal a integrar a lista de 24 países que enviaram ajuda.

Os Estados Unidos, por meio do Comando Sul, enviaram uma equipe de resposta a desastres com 250 elementos e mais 230 militares para aumentar a capacidade do aeroporto e reabrir um porto estratégico, visando reforçar a assistência. A solidariedade global é crucial para a Venezuela neste momento de crise, embora as chances de encontrar mais sobreviventes diminuam a cada hora, como apontou um membro de uma equipe de resgate salvadorenha, conforme fonte confiável.

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