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Adaptação de cidades ao calor: ambientalistas exigem medidas urgentes em Portugal

AP Photo/Armando França
AP Photo/Armando França

Em um cenário de ondas de calor cada vez mais frequentes, intensas e letais na Europa, associações ambientais portuguesas uniram-se para demandar ações concretas de adaptação das cidades. A iniciativa culminou na entrega de uma carta aberta a diversas entidades governamentais, sublinhando a urgência de transformar os centros urbanos em ambientes mais resilientes às altas temperaturas.

A mobilização ocorre em meio a um ano que já registra um número recorde de eventos extremos. O problema, atribuído por especialistas à emissão de gases com efeito de estufa e às alterações climáticas, impõe uma dupla necessidade: mitigar as causas e, simultaneamente, adaptar a população a um cenário que tende a se agravar.

A crescente urgência da adaptação climática urbana

Portugal, assim como o restante do continente europeu, tem enfrentado um aumento significativo na ocorrência de ondas de calor. Segundo Francisco Ferreira, presidente da associação ambiental Zero, o país já registrou seis ondas de calor este ano, um número equivalente ao total do ano anterior, e isso ainda em julho. Além da frequência, a intensidade desses eventos, medida pela diferença de temperaturas em relação ao normal, também se mostra superior.

Diante desse panorama, as organizações ambientalistas enfatizam a importância de uma abordagem que vá além da redução de emissões. A adaptação das cidades torna-se crucial, exigindo um olhar atento para o edificado. Muitos imóveis, conforme apontado, refletem situações de pobreza energética, onde a capacidade de manter a temperatura interna adequada – seja quente no inverno ou fresca no verão – é comprometida.

Mobilização e propostas para enfrentar o calor extremo

No Dia Europeu das Vítimas da Crise Climática Mundial, a carta aberta foi entregue na sede do Governo, em Lisboa. O documento, endereçado ao primeiro-ministro, aos ministérios do Ambiente e Energia, da Saúde e das Infraestruturas e Habitação, e à Associação Nacional de Municípios Portugueses, classifica o calor extremo como uma emergência de saúde pública, exigindo intervenções nos centros urbanos.

A ação contou com um momento simbólico de rua, onde participantes se envolveram em toalhas e exibiram cartazes com a mensagem “Lisboa não é uma sauna!”. A iniciativa reuniu 12 organizações, incluindo a Zero, Quercus, Geota, Greenpeace Portugal, WWF Portugal e a Rede Portuguesa de Embaixadores do Pacto Climático Europeu, que apresentaram um conjunto de medidas concretas para a adaptação de cidades ao calor.

Medidas concretas para cidades mais resilientes

Entre as propostas detalhadas na carta, destaca-se a criação de uma rede nacional de refúgios climáticos. Essa rede envolveria a identificação, por cada município, de espaços públicos e privados já existentes – como bibliotecas, piscinas e jardins – que possam oferecer proteção durante as ondas de calor. A ideia é garantir zonas de sombra, áreas verdes e locais com climatização ativa, acessíveis à população.

Outras medidas incluem a aceleração da renovação energética dos edifícios, visando melhorar o isolamento térmico e a eficiência energética. A instalação de equipamentos de climatização ativa em creches, lares e centros de dia também foi mencionada como uma prioridade, especialmente para proteger os grupos mais vulneráveis da sociedade.

Desafios na implementação da adaptação urbana

Apesar da urgência reconhecida, a implementação de planos de adaptação climática enfrenta obstáculos significativos. Os Planos Municipais de Ação Climática (PMACs), considerados um passo fundamental para a resiliência local, deveriam ter sido concluídos até fevereiro de 2024, mas ainda não estão prontos em 2026. A falta de progresso é um ponto de preocupação para as associações.

Segundo Francisco Ferreira, as razões para a lentidão na intervenção são diversas. Ele aponta para a priorização de outras questões pelos municípios, a falta de capacidade técnica em cidades menores para elaborar e executar tais planos, e os custos elevados associados a medidas estruturais. Esses fatores, em conjunto, acabam por desviar a vontade política necessária para enfrentar o desafio do calor extremo de forma eficaz. Para mais informações sobre iniciativas de sustentabilidade urbana, consulte o Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos.

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