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Censo 2022 aponta que taxa de analfabetismo entre pessoas com deficiência supera em 12 vezes a média

Censo 2022 aponta que taxa de analfabetismo entre pessoas com deficiência supera em 12 vezes a média
Alunos em sala de aula no Centro Integrado de Educação Pública (CIEP) 001, no Catete, Rio de Janeiro – Tomaz Silva/Agência Brasil

O Brasil enfrenta um desafio significativo na inclusão educacional de pessoas com deficiência, conforme revelam os dados mais recentes do Censo Demográfico de 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de analfabetismo entre jovens e adultos com deficiência, na faixa etária de 15 a 29 anos, atingiu 12,2% no ano passado. Este índice é alarmante, sendo 12 vezes superior ao registrado entre aqueles sem deficiência no mesmo grupo etário, que foi de apenas 1%.

A disparidade educacional não se limita apenas a questões geracionais, apesar de historicamente pessoas com deficiência apresentarem taxas de analfabetismo mais elevadas. A pesquisadora do IBGE, Luanda Botelho, destaca que, embora a maior concentração de pessoas com deficiência entre os idosos (gerações menos escolarizadas) contribua para essa diferença, o foco nos jovens evidencia que a desigualdade transcende a questão da idade, apontando para barreiras estruturais persistentes.

Analfabetismo deficiência: panorama e causas

A análise dos dados do Censo 2022 revela que o analfabetismo é particularmente acentuado entre indivíduos com dificuldades associadas às funções mentais, alcançando uma taxa de 40,4%. Pessoas com mais de um tipo de deficiência também enfrentam um cenário crítico, com 34% delas sendo analfabetas. Esses números sublinham a complexidade e a diversidade das barreiras enfrentadas por diferentes grupos dentro da população com deficiência.

Mesmo entre os tipos de deficiência com as menores taxas de analfabetismo, a disparidade com a população sem deficiência é notável. Para aqueles com alguma dificuldade de enxergar, a taxa foi de 3,5%, o que ainda representa mais do que o triplo do índice observado entre pessoas sem deficiência. Outras taxas incluem 10% para quem tem dificuldade de ouvir, 23,3% para aqueles com dificuldade de caminhar ou subir escadas, e 31,3% para pessoas com dificuldade de pegar objetos pequenos, evidenciando um padrão de exclusão educacional em diversas frentes.

Desafios na frequência escolar para pessoas com deficiência

Além do analfabetismo, a frequência escolar também se mostra inferior entre as pessoas com deficiência. Para crianças de 6 a 14 anos, a taxa de frequência foi de 92,6%, enquanto para jovens de 15 a 17 anos, o índice caiu para 79,5%. Estes números são significativamente menores quando comparados aos de seus pares sem deficiência, que registraram 98,4% para crianças e 85,4% para jovens.

O grupo com deficiência profunda, caracterizado pela incapacidade total de escutar, ouvir, pegar objetos ou caminhar, é o menos incluído no sistema escolar. Nesse segmento, as taxas de frequência foram de 82,3% para crianças de 6 a 14 anos e de 65,6% para jovens de 15 a 17 anos. Essa realidade ressalta a necessidade urgente de políticas e infraestruturas que garantam a inclusão plena e efetiva desses estudantes.

Infraestrutura e apoio: a realidade da acessibilidade escolar

A acessibilidade nas escolas é um fator crucial para a inclusão educacional, e os dados do Censo Escolar 2025 indicam que ainda há um longo caminho a percorrer. Apenas 57% das escolas brasileiras possuíam banheiro acessível, 30% contavam com salas de recursos multifuncionais e 26,2% dispunham de profissional de apoio. Embora 78,5% das escolas tivessem pelo menos um desses recursos, a distribuição e a qualidade podem variar.

Observam-se diferenças notáveis entre as redes de ensino pública e privada. A rede privada superava a pública em banheiros acessíveis (64,4% contra 54,8%). Contudo, a rede pública apresentava vantagens na existência de profissional de apoio (32,8% das escolas, contra 4,6% na rede privada) e na disponibilidade de salas de recursos multifuncionais (34,5% contra 15,2% nas privadas). Esses dados sugerem que, embora a rede pública invista mais em recursos especializados, a infraestrutura básica de acessibilidade ainda é um gargalo.

Crescimento no ensino superior impulsionado pelo EAD

Apesar dos desafios na educação básica, o ensino superior tem mostrado um avanço na inclusão de pessoas com deficiência. Entre 2014 e 2024, a presença desses estudantes em cursos de graduação quase triplicou, passando de 33.377 para 95.572 alunos. Isso elevou a representatividade desses estudantes de 0,43% para 0,93% do total de alunos de graduação no país.

O crescimento foi impulsionado principalmente pela modalidade de educação a distância (EAD). Enquanto as matrículas em cursos presenciais quase duplicaram no período (de 26.637 para 50.609), o número de estudantes em cursos a distância cresceu mais de seis vezes, passando de 6.740 para 44.963. Este fenômeno indica que o EAD pode estar oferecendo maior flexibilidade e acessibilidade, facilitando o acesso de pessoas com deficiência ao ensino superior. Para mais informações sobre os dados do Censo, consulte o site oficial do Agência Brasil.

Fonte: correiodecarajas.com.br

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