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Euronews “extremista”, Tsikhanouskaya vê vingança de Lukashenko na Bielorrússia.

Euronews "extremista", Tsikhanouskaya vê vingança de Lukashenko na Bielorrússia
Reprodução Euronews

A líder da oposição bielorrussa, Sviatlana Tsikhanouskaya, denunciou a recente decisão do governo de classificar a Euronews como uma organização “extremista”. Em uma entrevista exclusiva, Tsikhanouskaya afirmou que a medida é um ato de vingança do regime de Alexander Lukashenko pela cobertura jornalística independente do canal, especialmente em relação às eleições contestadas de 2020, aos presos políticos e ao papel da Bielorrússia na guerra da Rússia contra a Ucrânia.

Esta classificação, que ocorre seis anos após os massivos protestos que se seguiram às eleições presidenciais, reflete o contínuo temor do governo bielorrusso em relação à informação independente. A decisão implica restrições imediatas ao acesso ao sítio da Euronews no país e impõe sanções administrativas a cidadãos que armazenem ou difundam o seu conteúdo, intensificando a repressão contra a liberdade de imprensa e de expressão.

A classificação de ‘extremista’ e as motivações do regime na Bielorrússia

O Ministério da Informação da Bielorrússia incluiu o sítio da Euronews na “Lista Republicana de Materiais Extremistas”, uma medida que entrou em vigor de imediato. Esta ação segue a proibição da emissão televisiva da Euronews no país, imposta já em 2021. Sviatlana Tsikhanouskaya descreveu as decisões como “hipócritas”, lembrando que o próprio Lukashenko já havia concedido uma entrevista ao canal.

Segundo a líder opositora, a classificação é uma retaliação direta pela forma como a Euronews acompanhou os acontecimentos cruciais na Bielorrússia. Isso inclui a cobertura dos protestos de 2020, as eleições que Lukashenko teria perdido, as histórias dos presos políticos e o início da guerra na Ucrânia a partir do território bielorrusso. Para Tsikhanouskaya, o regime busca silenciar vozes que expõem a realidade e desafiam a narrativa oficial.

Consequências da medida e os riscos para a população

A nova classificação transforma o simples ato de consumir ou partilhar notícias independentes em um pretexto para a repressão. Tsikhanouskaya alertou que ver a Euronews ou ler o seu sítio pode levar cidadãos à prisão, e partilhar o seu conteúdo pode ser considerado um crime. Esta situação cria um ambiente de medo, onde a busca por informação se torna um risco pessoal significativo.

A decisão oferece ao regime e ao serviço de segurança nacional, o KGB, “mais um pretexto para perseguir pessoas que apenas procuram informação”. Jornalistas, colaboradores e todos aqueles que apoiam órgãos de comunicação social independentes também estão sob ameaça crescente. A líder da oposição enfatizou que a repressão se tornou o princípio operacional do Estado, com detenções diárias e uma dimensão real da perseguição que permanece desconhecida devido à falta de identificação pública dos detidos.

O histórico de repressão e a persistência da luta pela informação

As declarações de Tsikhanouskaya surgem na véspera do sexto aniversário das eleições de agosto de 2020, que foram seguidas por uma onda sem precedentes de manifestações pacíficas contra a vitória declarada de Lukashenko. A oposição, a União Europeia e vários governos ocidentais rejeitaram os resultados como fraudulentos, levando a uma repressão generalizada contra manifestantes, ativistas, meios de comunicação independentes e a sociedade civil.

A repressão contínua e sistemática é vista como o “modus operandi” de todo o sistema governamental, que receia que qualquer afrouxamento possa desencadear uma nova revolta popular. Sob este clima de terror, o protesto visível tornou-se quase impossível, migrando para a clandestinidade. No entanto, Tsikhanouskaya assegura que as pessoas não desistiram e estão à espera e a preparar-se para um novo momento de mobilização.

A resistência digital e os desafios à censura governamental

Vivendo no exílio, a líder da oposição sublinhou que o controlo da informação é fundamental para a sobrevivência do governo bielorrusso. Apesar da censura, milhões de bielorrussos continuam a seguir discretamente órgãos de comunicação independentes, utilizando redes privadas virtuais (VPNs) e outras ferramentas para contornar as restrições. Organizações de defesa da liberdade de imprensa alertam para a gravidade da situação.

Tsikhanouskaya afirmou que os meios de comunicação independentes são a “espinha dorsal” do movimento de oposição. A informação independente tem sido crucial para garantir que muitos bielorrussos compreendam a realidade da guerra da Rússia na Ucrânia, apesar da propaganda oficial, e que a maioria apoie a Ucrânia. Contudo, o Estado adapta-se rapidamente, com o KGB a utilizar plataformas tecnológicas para rastrear, identificar e perseguir opositores. A equipa de Tsikhanouskaya trabalha com empresas como Meta e Alphabet para evitar que as suas plataformas sejam usadas para facilitar a perseguição, aconselhando os cidadãos a priorizar a segurança digital, usar VPNs, manter dispositivos separados para aceder a meios independentes e evitar contactos com contas desconhecidas.

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